O Ar Vazio
Anjo da minha alma.
Anjo da minha vida.
Saem tão soltas as palavras.
Do espanto, do susto.
Por um momento não sei.
Não sei onde termina.
E estendo meus braços
Para alcançar os seus;
Elevo-os ao ar e no ar ficam, suspensos.
Indo, buscando, mas o vazio frenético.
No vazio repousam agitados.
Permanecem intocados.
Dá-se lhe qualquer nome
Que um dia traduziria o inalcansável.
Anjo da minha alma.
Anjo da minha vida.
Marcas são o que ferem a luz do ar que me sublima.
Então o ar em si termina.
Termina como no breu a vida.
Os braços se recolhem.
Vivos.
Presos na ilusão do vazio.
Vida, a viva no toque da eternidade.
A rima, uma rima, qualquer rima.
Saudade, saudade, saudade.
Meu recanto, meu encanto, meu canto.
O ar vazio.
Flavio Notaroberto
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