Parece paradoxal, mas é possível desejarmos não ser amor romântico de mais ninguém por um tempo, ou para sempre. Tema delicado, compreendido e aceito. Desejar não ser amado é contra muitos princípios sentimentais humano que vão da não-solidão à anulação da vaidade. Ninguém deseja a solidão. Todos e tudo somos vaidade. Não me refiro aos amores que nos amam hoje e ontrm, porque sempre os temos. Refiro-me a novos amores, em um momento do mundo sedento de carinho, afeto, atenção, boa companhia e a não-solidão. O abandono é algo muito sério, que diferencia na dor de estar só. O abandono soa terrivelmente mortal para todos que o sentem. Não há alma humana neste nosso mundo particular da nossa sociedade consumista que aceite sem transtornos emocionais o abandono e o ser abandonado. Inclusive, sentir-se abandonado é apenas uma percepção, mas é muito cruel a quem o sente. Não ser capaz de corresponder a um amor tem nuances muito sutis. Uma delas é respeitar a dor alheia. Pode amar-me, mas terei de fingir que não entendi. Outra é não fomentar o que não terá duração. Pode amar-me. Trocamos momentos juntos, mas sem esperança. A mais radical é escolher evitar, evitar de todas as formas ser amado ou amada romanticamente. Neste último sentido que eu creio na possibilidade e não desejarmos ter novos amores românticos. Eu vejo esta decisão como uma forma de sublimar o belo sentimento que é amar e não cativar no outro a ilusão, que gerará o desconforto na alma e a possibilidade da sensação de abandono e rejeição. Como disse, complexo e paradoxal não querer mais sentir-se amado ou amada por novos amores. Não que não faça bem para o ego. É questão de se o bem causado supera a dor alheia criada. Particularmente, não quero arriscar. Se não for para permanecer, não há mais porque criar expectativas. Ao menos por um tempo, ou para sempre - o que não acredito...
Nenhum comentário:
Postar um comentário