Futebol e ler sobre neurologia. Limpar o terreno e estudar filosofia. Lavar roupa e reler sobre mitologia. Acreditar em minhas aulas de inglês onde se acredita que é possível saber sem se dedicar aos estudos, mas não é possível! Dar aulas de Língua Portuguesa na rede pública para os 6°, 7° e 9° anos do E. F. e ainda não desistir de ser o escritor que sou, que narro, que ficciono, que poetizo, que faço o que propõe a arte: transcender, ou seja, ir além de nossa condição humana. E na sala de aula, amo ensinar e ensino o que posso ensinar. Parece lamúria. Mas é a síntese de nosso Brasil. O valor de um intelectual tem o mesmo valor de um desempregado na economia de mercado. Não importa neurologia, filosofia, mitologia, ensino. Aqui importa cumprir a burocracia e passar os dias querendo ter razão simplesmente por achar que se tem razão. Tenho mais valor quando faço rir do que quando acendo uma centelha que ajuda a despertar a autoconsciência, a apreensão, a abstração, a aprendizagem. Insisto que não é lamentação porque me sinto superior ao que vivo, e não lamento a realidade em que vivo. Aprende a refletir sobre ela. Usar minhas energias físicas me causam um prezar que as energias intelectuais não causam, a não ser para mim mesmo e para poucos que conheco e que comungam das leituras e da liberdade do pensamento. Tentar se adaptar na burocracia brasileira é fácil para a maioria. Eu tenho tentado e com certo êxito. Porém, entristece-me e um dia escreverei como segurei as lágrimas na sala de aula quando ouvi das palavras de uma diretora, disciplinando os alunos indisciplinados, que ela estava lá para apoiar os alunos quando eles tivessem razão, mas também o professor, quando ele tivesse razão. Como este assunto é um vespero, eu me silencio por enquanto.
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