domingo, 3 de dezembro de 2017

Adeus (poema)

Adeus, meu adeus, volto logo.
Um dia verei em seus lábios,
Soltos aos ares da vida,
Verei a saudade nos ares,
Não faço do amor o apego.

Adeus, adeus, para mais,
Não mais, nunca mais o apego
Nunca mais verei em seus olhos
Soluços despertos de mim,
Fui o pouco que resta assim,
Adeus, adeus, volto logo.

Desperto, silêncio, aflito,
O adeus apett

Renata

O texto abaixo dediquei a um importante e marcante pessoa em minha vida, a Renata. Ela fez a introdução do meu livro. Tenho grande saudade dela. Não nos falamos mais e as razões são obscuras. Ela faz parte daquele sol particular que ilumina-me a alma e minhas doces memórias nos momentos de íntima melancolia. Digam a ela - de alguma forma - que ela é a minha Amada Imortal, aquela que estruturou a minha alma desde sempre...

À minha amada imortal

Por um momento pensei em você. Em todas as nossas cartas por tantos meses contínuos. Mas antes de prosseguir estas palavras, persitem em minha mente as suas palavras outrora recentes: "tentar reviver tempos quando éramos adolescentes." Por mais que possa ser fácil e óbvio enxergar uma meia idade, como a minha, o ridículo de reviver o que teve a sensação de momentos erredios, me cativa demais. Eu gosto tanto de sentir-me existencialmente vivo a ponto de não sentir falta alguma dos versos do Fernando Pessoa niilista. Eu revivo meu passado com o mesmo primeiro beijo adolescente que nunca dei em você. Nunca nos beijamos. Se passado, nostálgico; se futuro, sonhador; se presente, ridículo. Tenho saudades deste ridículo adolescente, e não por falta de presente intenso e nem ausência de perspectiva futura. Meus livros, meus filhos, minha separação, meus anos de casado, meu futuro mestrado e doutorado, meu próximo livro, minha vontade de resgatar as lacunas de tantas leituras, que tudo vive belamente intenso no meu olhar de agradecimento que tenho por você. Obrigado. Ainda sobra muito espaço de você dentro de mim. Estes dias, você mesma esteve em minha mente. Saudade gostosa. De agradecimento por você um dia ter segurado as minhas mãos, no meu quarto, em 1998, lendo uma carta para mim, tão íntima, tão cheia de amor, de palavras para as quais eu não estava preparado. Eu nunca estive preparado para você. Sonhava sim com você, e me entreguei ao meu destino de ser usado por quem precisava de mim. Eu até sonho acordado em tocar um dia meus lábios nos seus, mas seria egoísmo infantil e pura ingenuidade. Tocar suas mãos com a ternura que eu senti você tocar as minhas, naquele dia. Está em minha memória seus olhos trêmulos. Olhavam. Com uma decisão que tomava cheia de indecisão do que fazia. Eu vivia perdido. Tinha acabado de voltar do dentista. Você já havia seduzido a minha mãe, que se encantou com você, impressionantemente. Nunca - engraçado - eu a beijei. De certo, amaria ter feito. Nem tudo são memórias reais, porém. Algumas são estas memórias imaginadas tão reais a um esquizofrênico em seus delírios. Quero afirmar para mim mesmo que ainda tenho potencial para ser um escritor numa sociedade que pouco lê, e este escritor um dia poderá agradecer você, minha primeira leitora, quando não havia nada senão cartas. Eu sei que você torce por mim e talvez até deslizariam algumas lágrimas, testemunhando de longe algum sucesso. Claro que dependendo de seu grau de sensibilidade na época ou de ausência da sua razão e ocupações. São marcas. Minha marca em você é nosso passado que se toca. Sua marca em mim. As nossas marcas foram bonitas. Ah, creio que a vida tem sido boa para mim. Separei-me e deixei apartamento (verdade que não quitado), um carro (não quitado, mas terminei quitando), pensão generosa para meus padrões e tudo o que um homem que ama a dignidade da vida e os filhos que tem poderia deixar: a mãe deles está muito bem: formada pela USP, viagens para a Europa, Chile, EUA, várias pós, um excelente emprego e ainda jovial para qualquer amante de bom gosto e cultura. Sinto-me homem mais completo e realizado, ainda que o máximo sempre será o mínimo para a ingratidão. Saber, por outro lado, que você está em algum lugar e bem, me faz muito feliz também. Queria tanto que você lesse. Lesse estas palavras. Poder dizer que sim. Li. Confesso que eu a amei também outrora. Porém, tive medo. Medo de limitar o seu atual amplo mundo. Tenho em mim estes sacrifícios pessoais. Tenho medo de prejudicar quem amo, quem me ama ou me amou. Tenho tanto medo que elevo sempre meus olhos ao céu prostrado de joelhos na terra, pedindo para nunca deixar de amar e agradecer os amores que passaram em minha vida. Você foi um grande amor que passou por mim sem um único beijo. Creia. Não foi por outro motivo, senão por respeito ao que eu era, ao que você era, ao que você me representava e a enorme covardia de minha parte. Você está em meu coração, ainda, que totalmente ausente no espaço que não temos juntos. Quero ter uma vaidade pessoal de um dia dedicar um livro a você. Vaidade apenas. Você quem me apresentou aos filmes "Minha Amada Imortal" e "Nunca te vi, Sempre te Amei", bem como a "Sonata ao Luar", de Beethoven. Por mim, nunca falarei seu nome aqui, nem alí, nem acolá. Saiba que o tato apaixonado de sua mão, a voz daquela carta, o tremor suave de seus olhos semi-apaixonados me arrebatam ainda agora. Eu amei você também. Do fundo de meu coração. Ainda verdadeiro. Seja de meu coração adolescente ou do homem de meia idade. Obrigado, My Single Immortal Beloved. Nunca mais te vi, mas sempre te amarei com este nosso carinho recíproco...

Psicopatia

Quero falar um pouco sobre psicopatia.

O mundo, em síntese, cabe muito bem aos psicopatas, e dificilmente aos altruístas. Nem cabe lembrar, mas lembro que podemos viver com alguns por anos, casados, namorando, trabalhando, com uma natureza psicopata.

A pessoa, claro, é doente porque desajustada. E o desajuste está no cerne da emoção que ela não consegue ter ao longo da sua existência: nem tristeza, nem felicidade, nem desilusão, nem êxtase. O ego dela é centrado. Nada entra; nada sai.

Poeticamente falando, ela não ultrapassou o limiar que divide o bem maior do ser humano, que é o amor, com os instintos primitivos dos animais que é a sobrevivência. O psicopata apenas enxerga a si. Mais nada.

Neste momento um fator pesa bastante: Deus. O fator Deus é o escudo contra os psicopatas que se comportam como seres sensíveis, mas são cruéis, malignos, destrutivos. Deus, para mim, enxerga e dá ao psicopata o seu galardão com o tempo. E o pior deles: a certeza da solidão presente e futura. Você, que é psicopata, e eu que fui descobrir sua psicopatia tardiamente, depois de poder me livrar desta sua doença, tenha seu futuro com os galardões de quem altruisticamente acolhe os enfermos. Como você é insensível, na sua velhice, na sua solidão, dará de ombros como sempre deu à vida e às pessoas.

Quando se namora

Quando se namora, ou fica, ou se envolve com uma pessoa intelectualmente liberta, comece o relacionamento se preparando para separar-se. Ele não presta? Geralmente não é isso. É que tudo indica que ele trará tão claramente o princípio de liberdade, vontade e realizações pessoais, que a pessoa sentirá a auto-estima nas alturas em pouco tempo. Perceberá que emoção alguma de amor é mais forte do que o amor por si mesma. Ele irá preparar o terreno da liberdade emocional e em parte intelectual. Os olhos da alma abrir-se-ão. E a vontade da pessoa prevalecerá. Ele já sabia disso; ela, não querendo crer nisso, terá que aceitar para não sofrer auto-repressão. É esquisito e soa triste. Começar para terminar. Mas um preço caro ou barato que se paga. Ter efemeramente ideias para ter a si mesma para sempre.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Nossas experiências

Quando me perguntarem em algum lugar público por que eu compartilho coisas de minha vida pessoal, eu responderei que as pessoas aprendem mais com nossas experiências do que com nossas palavras. Sou escritor da palavra; sou ser humano com as minhas próprias experiências. Resposta em um post de uma querida amiga.

"Olha, o 'Então é Natal' me fez rir. Você sabe, a cantora Simone. Vou abri algo íntimo para você. Estou com meus 42 hoje, recomeçando do zero. Sem nada mesmo! Aliás, sem nada eu minto. Tenho três filhos. Dois livros publicados. Ciclo de casamento fechado em 2014 depois de 15 anos. Agora um Espaço Cultura Cambury onde posso aos poucos implantar meus projetos educativos e culturais. Alguns livros para serem publicados (um romance já terminado). E por aí vai. Mas sem nada financeiramente, zerado, dependente até, o que quer dizer: privação e abnegação de tudo: boas comidas, passeios, bons ambientes como restaurantes, boas bebidas, passeios com mulheres em ambientes agradáveis, pequenas viagens, sem ousar seduzir e encantar mulher alguma - porque seria iludi-la agora e relembrar sempre da minha própria situação. Mas deixo sempre reservado uma graninha para meus filhos se precisarem. Coisa de 50 ou 100 reais. Ainda que sem emprego, mando mil reais de pensão (e sei que é pouco! para quem mandava quase três mil e ainda pagava planos de saúde). Resumindo: um perfil decadente de quem foi um pouquinho e hoje nada é. O mal-estar bate. Porém, tive de ver tudo isso como experiência para não surtar e pirar e lamentar. E assimilei rapidamente o não-ter, o não-poder, o privar-me, o não-iludir e o não iludir-me. E aí entram os cenários futuros a partir do meu passado, altamente consciente de meu presente. Sei como eu quero estar até meus 50 anos e sou ambicioso nesse sentido. Muito ambicioso, aliás - sem ter de destruir ninguém. Se fosse para destruir e pisar nas pessoas, jamais saberia dessa dificuldade. Das infinitas vezes que pude manipular para meu benefício próprio as pessoas, eu optei por minha paz interna. É meu jeito. São minhas escolhas no tempo presente que me farão o que serei no futuro. Eu aprendi a criar cenários e raramente erro. Eu caminho fazendo meu futuro cenário acontecer mantendo a minha paz interior. Acho que temos que projetar algo. Bem, para saber o que pretendo com meus 50 anos, tive de tomar algumas decisões. Descartei qualquer possibilidade de amar e ser amado, corresponder e ser correspondido, se for para os dois em si se acomodarem num auto-naufrágio, autofagia, auto-alienação e auto-acomodação. Quero fazer algo que seria impossível aos olhos de meu agora até meus 50 anos. Se chegar lá com meus projetos, creio que terá valido à pena; se não atingir a marca, valeu ter imaginado. Então poderei viver outros sonhos paralelos e importantes, como ter uma pessoa bacana ao lado e curtir a vida íntima com mais acolhimento e maturidade com alguém que saiba ao mesmo tempo se entregar a um relacionamento e ser completamente independente tanto financeira, intelectual, emocional quanto socialmente. Para tudo isso, saber meu passado e estar em meu presente sem lamurias é fundamental. Ir galgando. Os Natais virão e as mesmas chatices como as da Simone (Então é Natal...) serão meio que inevitáveei em sociedades cristãs.

Superação sempre


Tenho um ano para ler o que não fiz categoricamente nos últimos dezessete anos, desde 2000. Minha meta nos estudos é buscar uma vaga como professor universitário o mais rapidamente possível. Admito que leio bastante hoje, mas ainda não com a intensidade que posso e devo. O que me agrada, porém, é que a sabedoria nos economiza energia. Eu sou sabedor dos meus limites, assim como do momento de ultrapassar os limites razoáveis - tudo isso no que diz respeito às minhas leituras. Algo que compensa deixar de ler às vezes é eu escrever. Escrever exige a cada momento uma breve pausa para o pensamento ser reestruturado em palavras. Geralmente quem escreve, relê algumas linhas anteriores. Assim consegue deixar coerente e até mais prazeroso. O prazer agrada nossos sentidos, o prazer nos motiva, o prazer é a finalidade de tudo. Meus textos, causando prazer nos leitures, posso ter o prazer de escrever mais e conquistar as vantagens de quem vive, com prazer, escrevendo. Assim como ser um bom professor. Sei da complexidade do prazer, uma vez que é algo pessoal, haja vista o sádico, o masoquista, o psicopata, os maníacos etc. É vaidade dar-se ao estudo da entrega aos livros. Ainda mais aos 43 anos, quando muitos homens ou mulheres de talento estão na curva do ápice da sua vida profissional e financeira. O que eu faço hoje, e farei com mais intensidade daqui em diante, deveria ter sido feito ao longo dos meus vinte anos, mais precisamente, após os meus 23 anos - quando percebi-me livre da depressão, que me apagou quatro anos de minha existência. O lado positivo de entregar-me agora à leitura é que renovo na mente humana as memórias vivas da sensação da jovialidade. Encho o saco de conhecidos com esse papo de ser velho etc., mas, ao contrário, meu mal é sentir-me ainda com a respiração ativa e sonhos presentes dos meus vinte anos - como se eu tivesse interrompido esse momento para casar-me, ter meus filhos, divorciar-me aos 40 e retomar do ponto onde parei. Não velho, mas sem a incômoda sensação de não ter realizado alguns sonhos: ser pai era, sem dúvida, o maior deles. Agora leituras, mais leituras, muitas leituras. Num papo descontraído com uma conhecida, eu disse algumas razões de não dar-me ao luxo de relacionamentos constantes (que sempre aparecem oportunidades):

"Hoje procuro uma pessoa como você: linda, culta, inteligente, sensível, que inspira poesia, instrospectiva, apaixonante. Eu penso que estou com o espírito livre para poder retomar e lutar pela minha vida acadêmica (terminar o Mestrado ano que vem e engatilhar o doutorado). Preciso dar aulas em faculdade, até por um sonho pessoal. Eu somente não sou mais incisivo em minhas conquistas porque eu vou retomar meu mestrado e tenho medo de a pessoa não me entender as minhas necessidades intensas em relação às minhas leituras no meu próximo ano. Você aceitaria uma situação em que o homem colocaria suas leituras em primeiro lugar?"

Ela aceitaria, assim como muitas aceitariam. Quem não aceita sou eu. Estudar não é limitador para o amor. Somente a intuição do que queremos nos põe limites emocionais. Não podemos dizer às pessoas que a vida não se resume a trabalhar e ganhar dinheiro. Deve transformar trabalho em dinheiro, mas temos de ter um ponto em nossa existência onde colocamos o nosso nariz. O meu nariz está nas leituras, nos meus escritos, nas minhas filosofias e reflexões e nessa meta de dar aulas em faculdade. Sei que para isso tenho que ler, aprender, saber, porque a cultura se adquire estudando e tendo contato com ela. Ser culto é uma aquisição. O máximo que faço hoje em dia é escrever e tentar inspirar. Assim como emagrecer e voltar a praticar exercícios físicos. Ser modelo na prática gera a inveja perturbadora inveja alheia, o desconforto nas almas das pessoas pequenas e mal amadas por si mesmas e pelos outros - o que é um fato! Mas estamos aí para quem precisa de modelo positivo para a sua existência um tanto sem rumo. Realize seu sonho. A vida é essa. A fraqueza faz mais parte do que a superação. Eu falo de superação. Sempre. É o que nos interessa!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Beatriz de Dante

Beatriz de Dante. As musas de Os Lusíadas. As nifas e deusas de tantas inspirações. Inspirações que a alma humana totalmente liberta dedicaria o que de mais sincero um poeta poderia dedicar. Sou essa vontade. Sou essa dedicação. Sou essa alma liberta. Tenho minha inspiração. Tenho aqui comigo em meu coração algumas musas a quem gostaria de escrever e escrever cheio de inspiração por elas. Gostaria, porém, que a maior delas me chamasse, me sentisse, me gostasse, me agraciasse, me entendesse, me perdoasse e me permitisse com um "na vida nem tudo o que queremos temos; eu já quis muito você; se eu posso ter um poema sincero de você, amaria tê-lo; se não mais você como antes, o poema, ou o que quer que o inspire!" Me vem alguém agora em minha mente. Ela. Ela sempre me vem à cabeça. Uma musa que na verdade nunca fora minha musa, mas a quem hoje eu dedicaria um poema, por sincero, por mais belo, por mais profundo, por um jeito limitado que diria ao final "quis muito ter amado você, meu amor, não amei como gostaria, porém!" Não amei. Hoje eu a amaria com mais sabedoria e intensidade. Por solidão? Não. Certamente não. Por amar em querer fazê-la feliz. Resgatar. Reviver. Agradecer. Dar de mim o que acho que minha alma de compreensão humana pode alcançar. Fazê-la sorrir todos os dias. Seu café todos os dias. Sorrisos e mais sorrisos de compreensão todos os dias. Todos os dias agradecer o momento. Todos os dias sentir seu humor. Todos os dias saber qual cor está a sua alma e harmonizar-me com ela. Uma inspiração. A probabilidade de que ela leia, entenda que é para ela esse pedido, retribua com um sim porque ela ficaria feliz, essa probabilidade é bem pequena. Uma intuição minha apenas. Uma intuição porque os anos poluem nossos sentimentos recíprocos e ela muito dificilmente saberá que é para ela. Quem sabe, não perguntará "escreveu para mim?"; muito menos perguntará "quem é essa musa?". Ela sabe que é. E se não sabe, ou se ao menos tem dúvida, recuo para as dúvidas habitarem. Uma musa pode ter dúvida. Para o poeta, ele não tem dúvida algum. Espera apenas. Ele tem vaidade. Assim como vontade de amar sempre. E ao amar libertar-se dos limites que todas as certezas nos colocam. A certeza que eu tenho é que " eu queria muito ter amado profundamente você, minha inspiração". Quem sabe. Pois é. Quem sabe. Eu sei.