Quando me perguntarem em algum lugar público por que eu compartilho coisas de minha vida pessoal, eu responderei que as pessoas aprendem mais com nossas experiências do que com nossas palavras. Sou escritor da palavra; sou ser humano com as minhas próprias experiências. Resposta em um post de uma querida amiga.
"Olha, o 'Então é Natal' me fez rir. Você sabe, a cantora Simone. Vou abri algo íntimo para você. Estou com meus 42 hoje, recomeçando do zero. Sem nada mesmo! Aliás, sem nada eu minto. Tenho três filhos. Dois livros publicados. Ciclo de casamento fechado em 2014 depois de 15 anos. Agora um Espaço Cultura Cambury onde posso aos poucos implantar meus projetos educativos e culturais. Alguns livros para serem publicados (um romance já terminado). E por aí vai. Mas sem nada financeiramente, zerado, dependente até, o que quer dizer: privação e abnegação de tudo: boas comidas, passeios, bons ambientes como restaurantes, boas bebidas, passeios com mulheres em ambientes agradáveis, pequenas viagens, sem ousar seduzir e encantar mulher alguma - porque seria iludi-la agora e relembrar sempre da minha própria situação. Mas deixo sempre reservado uma graninha para meus filhos se precisarem. Coisa de 50 ou 100 reais. Ainda que sem emprego, mando mil reais de pensão (e sei que é pouco! para quem mandava quase três mil e ainda pagava planos de saúde). Resumindo: um perfil decadente de quem foi um pouquinho e hoje nada é. O mal-estar bate. Porém, tive de ver tudo isso como experiência para não surtar e pirar e lamentar. E assimilei rapidamente o não-ter, o não-poder, o privar-me, o não-iludir e o não iludir-me. E aí entram os cenários futuros a partir do meu passado, altamente consciente de meu presente. Sei como eu quero estar até meus 50 anos e sou ambicioso nesse sentido. Muito ambicioso, aliás - sem ter de destruir ninguém. Se fosse para destruir e pisar nas pessoas, jamais saberia dessa dificuldade. Das infinitas vezes que pude manipular para meu benefício próprio as pessoas, eu optei por minha paz interna. É meu jeito. São minhas escolhas no tempo presente que me farão o que serei no futuro. Eu aprendi a criar cenários e raramente erro. Eu caminho fazendo meu futuro cenário acontecer mantendo a minha paz interior. Acho que temos que projetar algo. Bem, para saber o que pretendo com meus 50 anos, tive de tomar algumas decisões. Descartei qualquer possibilidade de amar e ser amado, corresponder e ser correspondido, se for para os dois em si se acomodarem num auto-naufrágio, autofagia, auto-alienação e auto-acomodação. Quero fazer algo que seria impossível aos olhos de meu agora até meus 50 anos. Se chegar lá com meus projetos, creio que terá valido à pena; se não atingir a marca, valeu ter imaginado. Então poderei viver outros sonhos paralelos e importantes, como ter uma pessoa bacana ao lado e curtir a vida íntima com mais acolhimento e maturidade com alguém que saiba ao mesmo tempo se entregar a um relacionamento e ser completamente independente tanto financeira, intelectual, emocional quanto socialmente. Para tudo isso, saber meu passado e estar em meu presente sem lamurias é fundamental. Ir galgando. Os Natais virão e as mesmas chatices como as da Simone (Então é Natal...) serão meio que inevitáveei em sociedades cristãs.
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