Vinha agora de carro para casa. Minha prima acompanhava-me com seu carro atrás de mim. Fomos levar algumas sobrinhas e as amigas delas para uma festa. Segunda-feira aqui em São Sebastião tem dessas coisas que nos fins de semana não se vêem para os locais. Aprendi que para os moradores meio que funcionam as atividades de terça à quinta. Mas na volta me inspirou um conto, uma pequena história. O enredo seria fortemente psicológico entre dois personagens, cada qual em seu carro, a rodovia e os desejos ocultos na mente de um deles. O término seria assim:
- Não me incomodou não seu pensamento trágico. Era uma necessidade que a sua mente precisava, mas que no fim você sentiu remorso e se arrependeu. Vamos pedir a pizza?
A história seria muito boa. Descreveria a noite, a pista límpida, a lua minguante com literal céu estrelado. Carros cruzando-nos e ultrapassando-nos. A perspectiva da ação viria de uma das mentes dos dois personagens, que ao final conta o que desejava que acontecesse com o outro: um desastre de carro fatal. A força psicológica pertubaria de modo intenso o leitor. O desejo ardente de uma mente perturbada tendo necessidade nebulosas e trágicas na vida do outro ao passo que a outra divagava na escuridão do caminho que seguia, absorto nele.
Mas, ao invés de escrever, refleti agora sobre a construção do enredo que não vou escrever. Algumas hipóteses por não fazê-lo podem ser a falta de motivação, ânimo e preguiça. Eu creio, porém, que há algo menos óbvio, e esse algo menos óbvio para não escrever é que enredos com apelos psicológicos me agregam muito pouco na construção do mundo em mim. Deve ser um pouco de prepotência minha por me achar demais intuitivo. Parece muito simples. Sei que só aparenta. O ser humano transborda detalhes. Na mente humana é onde tudo de cultura essencialmente humana acontece. Somos a cultura que vivemos e imaginamos.
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