sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Beatriz de Dante

Beatriz de Dante. As musas de Os Lusíadas. As nifas e deusas de tantas inspirações. Inspirações que a alma humana totalmente liberta dedicaria o que de mais sincero um poeta poderia dedicar. Sou essa vontade. Sou essa dedicação. Sou essa alma liberta. Tenho minha inspiração. Tenho aqui comigo em meu coração algumas musas a quem gostaria de escrever e escrever cheio de inspiração por elas. Gostaria, porém, que a maior delas me chamasse, me sentisse, me gostasse, me agraciasse, me entendesse, me perdoasse e me permitisse com um "na vida nem tudo o que queremos temos; eu já quis muito você; se eu posso ter um poema sincero de você, amaria tê-lo; se não mais você como antes, o poema, ou o que quer que o inspire!" Me vem alguém agora em minha mente. Ela. Ela sempre me vem à cabeça. Uma musa que na verdade nunca fora minha musa, mas a quem hoje eu dedicaria um poema, por sincero, por mais belo, por mais profundo, por um jeito limitado que diria ao final "quis muito ter amado você, meu amor, não amei como gostaria, porém!" Não amei. Hoje eu a amaria com mais sabedoria e intensidade. Por solidão? Não. Certamente não. Por amar em querer fazê-la feliz. Resgatar. Reviver. Agradecer. Dar de mim o que acho que minha alma de compreensão humana pode alcançar. Fazê-la sorrir todos os dias. Seu café todos os dias. Sorrisos e mais sorrisos de compreensão todos os dias. Todos os dias agradecer o momento. Todos os dias sentir seu humor. Todos os dias saber qual cor está a sua alma e harmonizar-me com ela. Uma inspiração. A probabilidade de que ela leia, entenda que é para ela esse pedido, retribua com um sim porque ela ficaria feliz, essa probabilidade é bem pequena. Uma intuição minha apenas. Uma intuição porque os anos poluem nossos sentimentos recíprocos e ela muito dificilmente saberá que é para ela. Quem sabe, não perguntará "escreveu para mim?"; muito menos perguntará "quem é essa musa?". Ela sabe que é. E se não sabe, ou se ao menos tem dúvida, recuo para as dúvidas habitarem. Uma musa pode ter dúvida. Para o poeta, ele não tem dúvida algum. Espera apenas. Ele tem vaidade. Assim como vontade de amar sempre. E ao amar libertar-se dos limites que todas as certezas nos colocam. A certeza que eu tenho é que " eu queria muito ter amado profundamente você, minha inspiração". Quem sabe. Pois é. Quem sabe. Eu sei.

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