Tudo o que eu tenho lido sobre o cérebro humano - sobretudo pesquisas de cognição evolutiva - demonstra que nosso córtex é dividido em grupos de neurônios - digamos grupos de cinquenta a cem mil neurônios - e esse grupos geram funções específicas para nossa percepção de mundo. Exemplo. Existe o grupo de neurônio da "profundidade" da visão. Se perdermos esse grupo em uma hemorragia, perdemos a capacidade específica da profundidade ao olhar - o que é incrível. Outro exemplo. Há pesssoas que sofreram derrame. Elas sabem escrever normalmente, mas não sabem ler, ou seja, não reconhecem mais as letras para ler. Como elas têm o movimento da escrita na mão, sabem escrever. Se imaginarmos que temos talvez milhares de percepções específicas, então temos milhares de grupos e subgrupos de neurônios cujas funções são espetacularmente específicas. Se a unha do dedão coça, vários grupos específicos para esse fenômeno são acionados simultaneamente em nosso cérebro, que respondem a esse estímulo. O incrível é que essas especificidades têm explicado de modo bem lógico os fenômenos absurdos em nossa mente, na relação mente x corpo, e a nossa interpretação filosófica e psicológica dessa relação. Antes de serem descobertas as especificidades das partes de nosso cérebro e seus circuitos neurais, tudo era hipótese e achismo, tanto na filosofia quanto na psicologia. No futuro, todos sistemas filosóficos metafísicos (que são os especulativos) não mais servirão para aprendermos seriamente questões como "por que pensamos", "como sentimos", "o que é a sensação", "onde fica a ideia", "o que é o pensamento" etc. Essas minhas leituras sobre neurociência, porém, nada têm de muito sério hoje em dia. A não ser que me divertem e me incentivam para meu futuro doutorado. E algo secundário dessas leitiras é que posso ser um melhor professor ao dar aulas. Ser professor é mais saber ensinar do que ter o conteúdo. Eu adquiro conteúdo há muito tempo e ensino. Na sala de aula, saber quais estímulos específicos usar na mente dos alunos é sem dúvida muito motivador para eles, que buscam aprender. A maioria aprende. Uma outra coisa, que é até irrelevante sobre essas minhas leituras sobre neurociência é que me protejo das pessoas que dizem que estudam cognição, dão palestras, se autopromovem etc., mas sabem muito pouco a respeito, a ponto de eu ficar até com dúvida se elas de fato leram a respeito. Bem, pode ser que elas saibam, mas não sabem ensinar. Mesmo assim, eu fico com dúvida. É que são inconsistentes seus ensinos sobre neurociência e cognição se comparados com os que eu venho estudando. Gosto de ser sério. Sou um bom professor, sou um bom escritor, sou um bom palestrante. Dizem que sou ótimo. Eu agradeço e prefiro apenas ser bom. Acho que não me seduz mais a vaidade, nem a beleza. Prefiro existir em paz e feliz. Minha forma pessoa de felicidade. Gosto de compartilhar minha felicidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário