terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Convidativo

Acho que desde fevereiro não parava em um bar, pedia uma cerveja, num calor convidativo. Eu o fiz agora, depois de terminar a minha aula. Aliás, li ontem a palavra "convidativo" para meus alunos. A expressão "uma manhã convidativa" ao lermos Memórias Póstumas, quando Brás Cubas acabava com a coxa. Não expliquei o sentido exatamente. Convidativo vem de convidar. Convidar é chamar para ir. O calor de hoje me convidava para tomar uma cerveja. Eu vim. Tinha que ser assim, em um bar, música ao vivo, que toca um sertanejo raiz, tipo "nossa senhora, me dê a mão" etc. Aliás, essas canções nos leva às nossas avós, que foi um período legal. As minhas faleceram há muito tempo. Também tenho meus 43 anos. Muito raramente, nessa idade, temos avós. Em compensação, temos filhos e sobrinhos, e com eles as gerações vão se sobrepondo umas às outras. A vida humana parece eterna aos olhos do agora. De nosso agora. Ilusão boa. Já disse a algumas pessoas que tenho vivido o momento mais feliz de minha vida, nesse agora. Bem certamente porque escolhi quem devo amar e com quem me preocupar. Nesse sentido, as pessoas da minha idade, querendo crer na fonte da juventude através do amor, perdem muitas chances de viver pequenas e curtas, mas intensas e sofisticadas, experiências e sentimentos. Eu não perco as breves e marcantes experiências - desde que enriquecedoras. Na mesa de bar, ouvindo "no rancho fundo, bem para lá do fim do mundo", me inspirando e sendo expirado, marca, como marcou tantas vezes. A dica é: não tenha medo de experiências, se as achar boas, belos, bonitas, bem-vindas sempre.

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