domingo, 10 de dezembro de 2017

O suicídio

Lendo o capítulo Suicídio, do livro O Demônio do Meio-Dia, houve agora há pouco uma singular coincidência ou belíssima sincronização. Uma querida conhecida, com quem conversei durante meses, teve algumas tentativas de suicídios e surtos de depressão por anos. E ela é das pessoas mais lindas que já conheci. Um dos momentos talvez mais delicados de sua vida foi a sua separação no entre 2014 e 2015. Do meu jeito de ajudar as pessoas, que algumas já conhecem e sabem, fui levando-a para uma ideia possível de que a dor é enorme e mais constante do que imaginamos, e por isso um único dia de alegria faz toda diferença ao logo de anos de sofrimento. Eu estava distraído, lendo na areia da praia. Ouvi a voz dela. Eu a olhei passando na minha frente com um namorado e fiquei feliz. Continuei em minha leitura. Uma hora depois peguei minha cadeira de praia e me desloquei uns vinte metros de onde ela estava. Aquilo que nos faz felizes devemos manter a certa distância para não profanar. Que ela não saiba que eu estou feliz por vê-la feliz dentro de tantos momentos de dores que todos passamos. Como disse, sincronicidade ou coincidência.

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