Uma das razões que me colocou a escrever e ler, foi um longo e platônico amor dos 16 aos 22 anos até eu assistir ao filme Cinema Paradiso. Não foi o meu primeiro (meu primeiro foi a Patrícia), mas com certeza o mais arrebatador. Esse amor me ensinou as misérias do sofrimento e que podemos amar desesperadamente e ainda assim escolher que vida queremos. Eu optei por essa que tenho hoje.
Algo me dizia que com ela, eu seria infeliz e não construiria a minha ideia de família. Eu sempre quis ser pai. Para criar, estar presente, educar, brigar se necessário, esperando as malcriações inevitáveis. Não errei em minha previsão. Meu platônico amor não se casou, não tendo filhos e vivendo uma constante adolescência aos 38 anos. Incrivelmente nos encontramos no curso de inglês em 2012. Eu como professor; ela como aluna. Foi surreal. Na verdade, eu retomei contato com ela pelo Facebook. E eu a incentivei a fazer o curso e, mais do que isto, ir para o exterior. Ela é de família classe média. Os pais apoiaram a ideia e ela foi. Já está há dois anos morando em San Diego.
Este amor me fez sofrer muito. Nos livros e leituras de poesias que descobri parte da tradução desse sentimento confuso e, na época, complicado. Se sou escritor, eu devo a ela. Tive sorte ou sabedoria, no caso, de seguir minha intuição porque houve oportunidade de ficarmos juntos, mas nada do que eu gostava, ela gostava e vice-versa. Seria um desastre. Devemos respeitar os gostos. E a empatia.
Não dá sempre para confiar na intuição. Conhecer uma pessoa, por isto, depende um pouco de intimidade. Para o bem. Para o mal. Quantas frustrações não temos! Quantas expectativas quebradas nas intimidades. E que angústia, não? A ponto de perguntarmos: o que eu estou fazendo aqui com essa pessoa?
Não devemos desconfiar das intimidades, ainda mais depois de repetidos momentos. Intimidade é a verdade. E mesmo que você se encante e desconfie do encanto, eu posso afirmar que o encanto não é o acaso, não foi sem querer, não foi planejado, premeditado: a pessoa deve ser mesmo encantadora. Disso eu não tenho dúvida. Não digo do sedutor que ilude. Falo do encanto, que faz a pessoa crescer interiormente. O sedutor deixará você menos; o encantador, deixará você mais. E quanto encanto não temos ao nos sentirmos com a pessoa que nos encanta!
O que eu senti por este meu intenso amor lá no passado foi sedução. "Perdi-me dentro de mim." O que eu busco nas pessoas hoje em dia é encantamento, porque é bem o outro deixar você sentir-se mais do pouco que somos. Na intimidade não vejo o complicado. Vejo um momento para decidir o caminho de nossa parcial felicidade. Saber o que quer e para onde ir nos fazem felizes. E fiquemos com esta última: ser felizes. Estar de bem com o outro que amamos dentro de nós
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