Creio que a vida tem sido muito mais excitante para nós, que vivemos nessa segunda década do Sec. XXI, do que em qualquer outro período da humanidade - excetuando a transição que levou o ser humano à introspecção, ou seja, o ser humano olhar internamente para si, ver-se refletido na água, descobrir-se e descobrir o outro semelhante diferente de si. Antes de julgar essas palavras, continue lendo. Não escrevo como quem acha e que fará quem lê perder tempo. Nosso tempo é o maior valor que temos. Temos um tempo de vida, e não há melhor explicação para não perdermos tempo. Aliás, nunca perdemos tempo ao lado de quem amamos profundamente, sobretudo ao lado dos filhos. Já a respeito desse nosso momento de excitação atual, eu embaso a reflexão em nossos 'neurônios-espelho', que a neurociência vem estudando e que possivelmente é onde, de fato, habita nossa humidade e toda a nossa capacidade de assimilar, reproduzir, retransmitir. Jamais perguntamos a nós mesmos por que nós sabemos copiar, imitar, emular. Temos a imitação algo natural, e sua naturalidade escapa à nossa percepção a todo momento. Se não soubéssemos imitar, perderíamos os períodos de amadurecimento neural e seríamos humanos sem a cultura que todos os humanos que nos cercam querem que assimilamos: saber a linguagem é uma delas. Falo como pai e escrevo para todos os pais e mães. A magia que temos diante de nossos filhos copiarem o nosso mundo justifica a nossa razão de existir. As primeiras palavras articuladas, bem como os primeiros passos bípides são marcantes. Sem o poder de imitação, algo vazio permaneceria. Aliás, os pais cujos filhos são autistas sentem o impacto da ausência da imitação, e todo desdobramento que vem decorrente dela. Dito isso, somos essencialmente cultura que recebemos, cultura que transformamos, cultura que retransmitimos. Não criamos cultura como novidade. Assimilamos e transferimos nosso modo de vida para a geração seguinte. E nesse sentido que penso como nossas vidas são excitantes atualmente, como nunca antes. Eu ainda não disse, mas os neurônios responsáveis por assimilar tudo o que copiamos são conhecidos como "neurônios-virtuais" ou "neurônios-espelho". Se aprendemos o movimento de um acorde de violão, essa categoria de neurônio é a responsável pela excitação da assimilação. Quando olhamos alguém tocando violão, esses neurônios disparam, e nesse disparo ocorre a primeira assimilação. Por esse motivo choramos num filme. Esses neurônios disparam como se fôssemos nós vivendo aquela situação emotiva. Acho que agora é possível ter uma visão unificada a que tipo de excitação me refiro, porque vivemos em uma época de grande assimilação. Somos bombardeados, como nunca antes, por estímulos de cópia todos os dias. Filmes, fotos, textos. Os memes são grandes estimuladores, por exemplo. Do ponto de vista neural isso não parece ser negativo. Copiar o mundo ativa a vida útil de nosso cérebro e fortalece-o. Esse dado é científico. Não achismo. O lado negativo pode surgir pelas expectativas pessoais frustradas. Ver fotos de uma viagem internacional de alguém excitam nossos neurônios-espelho como se estivéssemos lá, porque ativa nosso centro emocional que nos diz "também quero", mas caso não podemos, a frustração gera sentimentos dos mais diversos, dentre ele a angústia. Saber reconhecer que não é possível e aceitar o que não é possível, ajudaria muito o cérebro a superar a frustração, e nosso sistema emocional voltaria mais rapidamente ao equilíbrio. Admitir aquilo que não pode, que seja vivido virtualmente! Eu não posso ser o Neymar em infinitas condições, mas imagino o que seria ter à disposição para mim do que ele tem. Sem dizer na super vantagem do ator e atriz pornôs, que causam estímulo para muitos e frustração em muita gente. Eu vejo pelo lado positivo os estímulos, ainda que virtuais, como em um filme de superação. Eu que não foi comigo, mas vivi em mim parte daquela experiência virtualmente. Frustrar-se é a desilusão entre a expectativa e a realidade. Se a realidade frustrou expectativa, a frustração pode nos envolver em angústia. Não vivemos muitas coisas na vida, senão a cópia daquilo que desejávamos como algo real. Tivemos muitas experiências em coisas apenas virtuais. Mas está aí o que nos faz humanos: saber copiar. Tenho certo orgulho de ser escritor do jeito que eu sou. Vejo que pude harmonizar minha inquietação interna ao sentir o mundo, por causa de meus neurônios-espelho, e organizar essa inquietação em palavras. Quem lê tem a mesma vantagem, aliás. Continuemos lendo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário