terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Domingo lindo

O dia está lindo. Nem para todos o dia estará lindo. Eu sei. Há pesoas, por exemplo, que nem sairão do seu quarto hoje porque estão profundamente insensìveis e anestesiadas a qualquer sentimento. Como um dia eu já estive em minha adolescência, e início maturidade. Eu estava anestesiado para alegria, tristeza, ódio e perdão. Como foi difícil ter de conviver comigo, ou melhor, com o estado de ânimo que me dominava por completo, que era a apatia, mais conhecida como depressão.. Aquilo não iria ter fim para mim, a não ser quando eu morresse, o que aliás era minha vontade todo os dias quando eu despertava. Não me importava nada. Nem a mim mesmo. Eu perdi quatro anos de minha vida nesse mundo. Perda porque eu não era dono de meus sentimentos. Um único estado de ânimo era dono de mim. Ele escravizava-me. Se eu tivesse ido a algum psicólogo, psiquiatra à época eu não sei como e o que eu seria hoje. Os anos passaram. Entrou o fator Deus em minha vida em 1994 (ateu que eu era). Aos poucos voltei a sentir emoções. Outras emoções. O momento mais catártico para mim foi quando assisti a um filme e, ao término dele, chorei. Chorei de todas as maneiras. Chorei de propósito, descontrolável, tristeza, libertação, alívio, esperança, término, recomeço. Chorei longamente. Em 1997, há vinte anos. Tinha eu meus sonhadores 23 anos. Redescobria a vida. Estava no segundo ano da faculdade. Voltei a viver. Hoje, vinte anos depois, o dia está lindo. Bom para churrasco, ver amigos, família, passear, parque, um bate-e-volta a qualquer lugar bacana. O dia está lindo para mim, e olha que eu não farei nada hoje. Nada. Verdade que moro na praia e faço dela meu bate-e-volta de um quilômetro. O dia está de fato lindo. Eu sei porquê e o nome que melhor traduz esse porquê é autoconsciência. Posso fazer Deus. Mas não gosto. Prefiro escolher. Escolher viver Deus permitir ser usado por Ele.

Novamente bom dia, desse domingo lindo.

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