Tenho um ano para ler o que não fiz categoricamente nos últimos dezessete anos, desde 2000. Minha meta nos estudos é buscar uma vaga como professor universitário o mais rapidamente possível. Admito que leio bastante hoje, mas ainda não com a intensidade que posso e devo. O que me agrada, porém, é que a sabedoria nos economiza energia. Eu sou sabedor dos meus limites, assim como do momento de ultrapassar os limites razoáveis - tudo isso no que diz respeito às minhas leituras. Algo que compensa deixar de ler às vezes é eu escrever. Escrever exige a cada momento uma breve pausa para o pensamento ser reestruturado em palavras. Geralmente quem escreve, relê algumas linhas anteriores. Assim consegue deixar coerente e até mais prazeroso. O prazer agrada nossos sentidos, o prazer nos motiva, o prazer é a finalidade de tudo. Meus textos, causando prazer nos leitures, posso ter o prazer de escrever mais e conquistar as vantagens de quem vive, com prazer, escrevendo. Assim como ser um bom professor. Sei da complexidade do prazer, uma vez que é algo pessoal, haja vista o sádico, o masoquista, o psicopata, os maníacos etc. É vaidade dar-se ao estudo da entrega aos livros. Ainda mais aos 43 anos, quando muitos homens ou mulheres de talento estão na curva do ápice da sua vida profissional e financeira. O que eu faço hoje, e farei com mais intensidade daqui em diante, deveria ter sido feito ao longo dos meus vinte anos, mais precisamente, após os meus 23 anos - quando percebi-me livre da depressão, que me apagou quatro anos de minha existência. O lado positivo de entregar-me agora à leitura é que renovo na mente humana as memórias vivas da sensação da jovialidade. Encho o saco de conhecidos com esse papo de ser velho etc., mas, ao contrário, meu mal é sentir-me ainda com a respiração ativa e sonhos presentes dos meus vinte anos - como se eu tivesse interrompido esse momento para casar-me, ter meus filhos, divorciar-me aos 40 e retomar do ponto onde parei. Não velho, mas sem a incômoda sensação de não ter realizado alguns sonhos: ser pai era, sem dúvida, o maior deles. Agora leituras, mais leituras, muitas leituras. Num papo descontraído com uma conhecida, eu disse algumas razões de não dar-me ao luxo de relacionamentos constantes (que sempre aparecem oportunidades):
"Hoje procuro uma pessoa como você: linda, culta, inteligente, sensível, que inspira poesia, instrospectiva, apaixonante. Eu penso que estou com o espírito livre para poder retomar e lutar pela minha vida acadêmica (terminar o Mestrado ano que vem e engatilhar o doutorado). Preciso dar aulas em faculdade, até por um sonho pessoal. Eu somente não sou mais incisivo em minhas conquistas porque eu vou retomar meu mestrado e tenho medo de a pessoa não me entender as minhas necessidades intensas em relação às minhas leituras no meu próximo ano. Você aceitaria uma situação em que o homem colocaria suas leituras em primeiro lugar?"
Ela aceitaria, assim como muitas aceitariam. Quem não aceita sou eu. Estudar não é limitador para o amor. Somente a intuição do que queremos nos põe limites emocionais. Não podemos dizer às pessoas que a vida não se resume a trabalhar e ganhar dinheiro. Deve transformar trabalho em dinheiro, mas temos de ter um ponto em nossa existência onde colocamos o nosso nariz. O meu nariz está nas leituras, nos meus escritos, nas minhas filosofias e reflexões e nessa meta de dar aulas em faculdade. Sei que para isso tenho que ler, aprender, saber, porque a cultura se adquire estudando e tendo contato com ela. Ser culto é uma aquisição. O máximo que faço hoje em dia é escrever e tentar inspirar. Assim como emagrecer e voltar a praticar exercícios físicos. Ser modelo na prática gera a inveja perturbadora inveja alheia, o desconforto nas almas das pessoas pequenas e mal amadas por si mesmas e pelos outros - o que é um fato! Mas estamos aí para quem precisa de modelo positivo para a sua existência um tanto sem rumo. Realize seu sonho. A vida é essa. A fraqueza faz mais parte do que a superação. Eu falo de superação. Sempre. É o que nos interessa!
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