Via de regra, um curto texto começa a ficar interessante, após algumas linhas. Digo via de regra, porque há textos que não ficarão interessantes, mesmo que os leia até o fim. Os meus geralmente ficam interessantes (para mim!). Mas não é sobre isso que eu quero falar. Quero falar do que é interessante. Mais do que qualquer outra sedução, o que nos leva ao limiar do amor e da paixão é o despertar em nós a admiração daquilo que de fato achamos interessante no outro. Sei que é polêmico, porque a palavra 'interesse' possui alguns sentidos nada agradáveis, que desdobram para o 'interesseiro'. Tento preservar a pureza do que acho interessante. Quando somos surpreendidos positivamente e dizemos "que interessante!" é o que mais se aproxima do que eu entendo por pureza de interesse. O bom gosto, bom senso, bom humor, inteligência levemente irônica, que encanta, é algo para mim interessante. Nem falo sobre leitura, que pode ser ou não interessante. Há pessoas que leem que não são interessantes; há pessoas sensíveis, pouco leitoras, que são muito interessantes. Quando eu escrevo, geralmente me vejo falando em público. Imagino a atenção das pessoas sobre o que eu falo. Tento fazer da reflexão escrita algo mais que interessante a ponto de abrir consciência e destravar o lindo processo de perceber. Tento de meu modo tornar o conteúdo interessante ao escrever, mas imaginando-me falando. Por ser muito mais didático e envolvente falar, perco feio na escrita, reservada para aqueles que preferem a leitura à fala. Olha que eu prefiro a leitura a muitas falas. Porque muita coisa que ouço não me é, infelizmente, interessante. Aliás, quando o que eu ouço não é interessante é porque o que eu falo também não o é. O resumo sugestivo é pensar no que é interessante para nós, nossos gostos, vontades, limites. Sei que não somos de fato obrigados. Eu não sou, nem faço questão. Apenas exercito o que gosto. Ensinar, dar aulas, escrever, ler e conversar com pessoas interessantes. Amo!
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