Lendo um maravilhoso livro, descubro que tenho muito da essência do psiquiatra K. G. Jung. Não muitas pessoas o conhecem aqui no Brasil. Digo que ele fez pesquisas na área psiquiátrica com o Sigmund Freud. Já este último, muitos já ouviram falar.
O nome do livro citei algumas vezes e recito agora, "Memórias, Sonhos, Reflexão". A autobiografia do Jung, escrita quando ele contava 83 anos. Ele nasceu em 1875.
Gosto de textos quando o valor do dinheiro para o autor não possui valor algum. Creio ser o caso do Jung nesta idade, neste livro. Disse semanas atrás para a minha mãe, 74, que a velhice honesta transforma o dinheiro em papel quase sem valor. Suponho que este último esteja na saúde tão cara aos anos. Minha mãe concordou. Talvez Jung concordaria.
Jung, no final de sua vida, resume sua existência como um "inconsciente que se realizou", na introdução deste livro. A primeira vez que a li há vários anos, me chamaram a atenção estas palavras. Me encantei de imediato. Amor ao primeiro contato.
Deixei de lado este livro para um momento em que meu próprio inconsciente precisasse se manifestar, como vem fazendo e refazendo recentemente. Realizar-se no que temos de passageiro. Poucos percebem a profundidade desta viagem chamada vida.
Com um "sem querer querendo", estou lendo e descobrindo que os acasos em nossas vidas dizem o que precisamos. São acasos porque a explicação tornaria racional e metódica. Racionalidade pura é típica da psicopatia. Liberdade do nosso e para o nosso inconsciente é sem dúvida aquilo de que precisamos.
Vou entrar estes dias no capítulo em que ele conhece Freud, pag. 130, e fazem pesquisas juntos. Esta liga não deu certo. Houve explosões porque Jung expandia a sua alma; Freud queria a alma do outro uma neurose e esquizofrenia constantes. Freud parecia aprisionar a alma alheia para ter o controle racional. Era só fames e libido. Nada mais. E relembro, tirando a psicopatia, nossa alma são sentimentos em expansão. Reprimir sentimento ou não reconhecer dores e mágoas etc., geram neuroses, inclusive na aparente normalidade.
Deus tem este capricho misericordioso para quem tem o coração sincero. Ouve nosso tempo e nos faz conhecer coisas nos momentos mais adequados. No mês de maio, meus 42 anos adequam a minha alma sempre velha ao corpo envelhecido no homem, e me configuro ideal para este meu presente até meu fim. Quando jovens ainda temos futuro. Quando meia idade, os passos devem ser descalços no chão de terra. É o que faço.
Eu desejo que as pessoas, muitas vezes em dúvidas melancólicas e discretamente angustiadas, tenham a certeza de que os anos se acumulam com os anos. Existe o entardecer, mas não creio no fim absoluto sem deixar de respirar definitivamete. Meus logo 42 anos batem nas pessoas como tarde para si mesmas. Digo que é bobagem a idade. Deixe sua mente livre. Seja humano quando tiver de xingar ou arrotar.
Estou verdadeiramente encantado com "Memórias, Sonhos, Reflexão". Não há melhor maneira de persistir. Não há melhor maneira, senão liberando nosso eu interior, conhecido como inconsciente. Vivo e me delicio. Não haveria melhor momento para ler este livro. Creio profundamente. Mas tem de crer. Creia também, ou outrossim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário