quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Capacidade de amar

Quando perdemos a capacidade de amar, não implica falta de amor no próprio coração, ou mesmo de insensibidade psicopática de desprezo ao próximo. Apenas não conseguimos realizar aquela ideia de amor. E não iludo quem quer que seja. Porque meu amar é "a liberdade do que fazer com a minha vida é minha". Sem ilusões e expectativas recíprocas. Começo a suspeitar que tenho perdido a capacidade de amar por isso. Faço uma ressalva. Perdi a capacidade de amar e de querer ser amado. Porque ser amado é uma permissão que damos a uma vontade alheia a nós que nos quer. Cabe a nós alimentar ou simplesmente estancar qualquer fonte que nutre o amor por nós. Temos de ter enorme desprendimento. Sem alimento, o amor nos amando enfraquece, definha e morre. Claro que eu temi estar entrando em depressão. Estive refletindo bastante nos últimos meses. O que estava acontecendo com meus sentimentos? O fato de não estar conseguindo amar implica eu não consrguir amar a mim mesmo? Ou estou desaprendendo os sentimentos, ficando apático e indiferente a eles? Essa possibilidade é real na vida humana. Não sentimento felicidade, nem ao menos tristeza. Pode ser real. Assustadoramente real. Porém, quase que impossível para mim à luz do meu tempo de vida e autoconsciência da vida que tive, que tenho e que pretendo ter. Já sofri depressão por quatro anos quando adolescente e início da minha maturidade. Não sabia o que era claramente. Nem eu, nem familiares e amigos. Terminaram-me tachando problemático, desajustado, antissocial. O tempo foi o senhor de tudo. O tempo esteve no controle. Particularmente, aprendi a amar a Deus nessa época. Superei o desconhecido. Dominei o desconhecido. Por temor que eu tenha, sofri demais para permitir sofrimento novamente. Minha falta de capacidade de amar não vem de depressão, nem de melancolia, nem de tristeza, nem de apatia. Estou então fugindo do amor por medo de sofrer o desprezo? Pouco provavelmente. Acho que não me preocupo com o que pensam de mim mais. Quero dizer, adoro viagens emocionais e exponho-me a muitas delas. Desde que sejam novas e sinceras. Refiro-me, por exemplo, se for convidado, a uma roda de fogo, com batuques e movimentos corporais. Vou. Batuco. E até danço. Fecho o ciclo sem ser mais ou menos do que eu era, senão nova experiência. Uma dos grandes desconfortos na alma de quem escreve é não querer transmitir o que não agrega a quem lê. Inclusive o radicalismo poético de um recado. Se eu amar, certamente a pessoa quererá exclusividade emocional. Claro que não é bem assim. Por isso mesmo não me engano ao criticar a minha falta de capacidade de amar. Não bem não amar. É desistir de continuar amando assim que o coração acelera e a mente começ a não se esquecer. Respiro e auto controlo-me. Exclusividade a mim mesmo é algo que quero. Não desejo roubar pessoa alguma dela mesma.

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