Experiência pessoal que pode valer para algumas outras experiências. Foi numa diálogo com uma amiga sobre um tema diário que de alguma forma consome parte de nosso tempo e de nossa energia. Tempo e energia é aquilo de que precisamos. E paz! Depois que me separei em abril de 2014, eu tive alguns estresses em relacionamentos que não desejaria ter tido. Os estresses foram no conflito entre eu justamente o que eu tinha a oferecer e àquilo que pessoa tinha a me oferecer. Muitas vezes o desequilíbrio causa enormes desconfortos e sentimentos deprimentes a ambos. Falo em termos do que eu entendo de cuidado, preocupação e abnegação, que deixam as pessoas incrivelmente apaixonantes. Não creio em brigas, por exemplo. Não creio em desentendimentos. Não creio em birras e afrontas. Não creio em ciúmes. Não creio em competição explícita, nem implícita. Não creio em vantagens, apelos, nem em chantagens. Mas creio em momentos irônicos quando são exclusivamente para fazer rir. Sou muito irônico. Amo, aliás. Minha crença ainda é fazer todas as pessoas melhores do que elas já eram. Ainda mais se houver consentimento de cumplicidade. Afinal, qual é a essência ao relacionar-se com alguém? Não é ser cúmplice? Meu jeito. Nem sei se consigo, na verdade, deixar as pessoas melhores. Eu apenas quero. Tenho meus vícios e as pessoas têm os delas. Honestamente - tirando meus filho - meus quinze anos de casamento, em particular, me estagnou muito, sobretudo minha vida intelectual e profissional. Não viajei para uma pós no exterior. Não expandi-me como antes o fazia - publiquei meu livro só em 2013, e já tinha o livro escrito desde 2000! Nem mestrado fiz ainda. Nos últimos três anos de meu casamento, era eu fazendo comida, lavando louça e limpando casa. Justo? Justamente aquilo que eu não queria para a pessoa com quem fiquei casado, e presenciei limpando casa, passando roupa, fazendo comida. Não. Havia casado com alguém para ser do lar. Literalmente coloquei-a para estudar, fazer faculdade, fazer três pós, fazer algumas viagens internacionais etc. Ganhei ingratidão em troca. Melhor ingratidão do que a sensação de destruição. (Eu sei a importância do que eu quero sentir). Embora eu ganhasse bem, ainda que eu trabalhava formalmente 5 horas por dia, eu era acusado de ter tempo para poder cuidar da casa. Essencialmente, por meio de chantagens emocionais, eu cedia sabendo que estava tudo acabado. Não havia estudado para virar do lar. Era somente uma questão de tempo a separação. Hoje, com 42 anos, eu preciso tentar sair do estado atual em que me encontro, que é delicado porque todo recomeço do zero é uma incognita. Não me sinto mal. Minha forma positiva de transmitir otimismo e esperança. Por isso procuro não me enfiar em relacionamentos. Quero meu tempo, minha energia bem. Dou das mais variadas desculpas. Da falta de grana à falta de tempo. Pretendentes existem e na essência, muito legais, inteligentes etc., mas não posso exigir abnegação e compreensão na totalidade de meu delicado momento. Não vou ter muita paciência em um relacionamento em que o stress não seja evitado, e seja valorizado. Antes eu tinha, caso fosse necessário ter paciencia acima do limite o normal. Hoje não tenho mais. Eu não posso criar mais pequenos traumas em minha vida emocional, atualmente bem delicada. Veja que tenho até autocontrole para me autoanalisar sem inventar diagnósticos delirantes. Tenho minha paz para oferecer. E acho que é até muito intensa a minha paz. Profunda, aliás. Na verdade é das poucas coisas que sei que tenho para oferecer às pessoas. Ter a autoconsciência de que em qualquer momento que eu fique com uma pessoa, ela experienciará otimismo, verdades, cumplicidade, poesia, correção de pensamento, muita reflexao e muita compreensão. Em outras palavras, minha paz. O espírito humano somente sabe o que é paz depois que quase se perdeu em uma guerra emocional. Se já há alguém dando paz a você, encontre nisso amor e admiração. Valorize. É vaidade querer se feliz com opressão. Vaidade e egoísmo. Nós, brasileiros, não somos educados a respeitar verdadeiramente o outro - ainda que soframos por causa do outro. Oras, respeitar o outro é apoiar os projetos dele ou dela. O mínimo que podemos fazer é trazer-lhe paz.
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