Será que somos, as pessoas, mais iguais do que diferentes? Ou contrariamente somos mais diferentes do que iguais? Antes de refletir, digo que foi o acaso. Um acaso que não me agrade a rima -ente de diferente e contrariamente. Pensei em mudar. O gasto de energia seria maior do que eu pretendo. E sobre nossa diferença ou semelhança, eu e todos os psicólogos sabemos que somos muito mais semelhantes. Temos empatia.
Primeiro que somos altamente previsíveis. A propaganda fala por si mesma ao entrar na mente da massa. Um pensamento único em milhares ou milhões de pessoas. As tragédias coletivas trazem um pensamento único de comoção. O feito de superação traz o pensamento único de esperança. A humanidade é igual. A fome crônica traz o pensamento único de injustiça. Os desvios dos padrões quase insignificantes que nos diferenciam.
Vi pela manhã um ser com um microfone, palco cheio, muita luz, um telão central enorme, três telões menores ao lado, e todos reproduzindo a mesma imagem. Era um palestrante. As pessoas, no afã de serem diferentes, pagam caro para crerem serem únicas e especiais, quando são iguais. São iguais até no propósito de não desejarem ouvir verdades desconcertantes. Sendo nossas experiências sensações, a ilusão cabe muito bem em sensações de experiências únicas. Eu acho injusto fazer todos se sentirem reis, que é uma sensação praticamente única na vida de um ser humano. Ser rei.
O tempo que se gasta para a especialidade tem sido encurtado. Quem diz não sou eu. Há um estudo bem bacana a respeito. Os gênios são aos milhares diante dos bilhões de seres humanos. Na arte de modo geral. Mas na ciência e no esporte também. Assimilamos bem mais rapidamente porque os treinos foram incrivelmente aprimorados. Imagine só o ato de ler. Bilhões sabem ler. Número imensamente proporcional dos que sabiam há cem anos.
Nossa academia de ginástica, nossas festas, nossas conquistas acadêmicas e profissionais, nossas viagens e nossos relacionamentos amorosos. Temos tudo isso em comum. Inclusive nossas angústias, nossas doenças psicológicas, nossos atos falhos querendo ser felizes onde somos ainda tristes.
Sua dor é a minha dor. Sua felicidade é a minha felicidade. Sua fraqueza é a minha fraqueza. Sua dúvida é a minha dúvida. Sua necessidade é a minha necessidade. Temos de certo modo apenas momentos diferentes. Ao final, somado tudo, há empate. Um empate técnico. Alguns podem até refletir sobre e colocar em palavras. Ou, quando fazem muito, leem as palavras concordando ou discordando. E não importa para um ou para outro. Ambos titubeiam. Ambos são indecisos. Ambos levam a vida. Cada qual contribui da sua forma para reconhecer um ao outro.
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