terça-feira, 30 de outubro de 2018

O Amor e o Arco-Iris

Quis um dia que o Amor visitasse
As cores do arco-iris.
Soltas ao ar, luziam parcas
E tênues, pouco em si diziam.
"- Nada vejo. Onde andam seus tons?",
O Amor perguntou.
Silenciosas, sumiam as cores ao toque do olhar que o Amor sentia.
Era o mistério de onde vinha!
"- Tudo na vida se desfaz, meu Amor.
Se longe as cores viviam,
Se próximo, inexistiam,
Daqui se dissipam."
A imagem tem seus segredos,
Que amor algum controla.
Ao céu, quão belas são a cores!
No céu, o belo sublima em vazio.
O Amor se enganou da beleza alheia!
Do céu, retornou à dura pisada da Terra.
Sentiu galhos, folhas e algum secume.
Viu também o broto, que da raiz, viceja.
A beleza do céu, que se foi,
À verdade da terra que se sente.
O Amor chorou, que da ilusão nada se leva.
Agradeceu o solo firme e ancorou,
Ancorou o Amor à certeza presente,
Que mais vale amar a sensação daquilo que se sente,
Do que fantasia do belo lá longe.
Projetada falsa ilusão em cada mente.

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