quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Ir verbo

Ir é o verbo que nos traduz, a gente que nunca para. Ir reflete literalmente no corpo, que projeta os lábios apontando para o outro, àquela direção. Como faz a existênciq do tempo, ir é um jamais voltar. Ir é inefável, inexorável, indelével. Quando achamos que retornamos, é uma outra ida, e assim indefinidamente. As coisas do conhecimento e do espírito desafiam o tempo. As coisas do espírito desafiam as idas. Quando congelamos o tempo em uma foto, retratamos nosso pensamento em conhecimento. Vemos e não nos enganamos. Fotografamos todas as idas em nossas memórias, que revestem-se com emoções. Vamos para sentir e criar emoções, ou revisitar emoções, ou reviver emoções, ou renovar emoções. Ir é o maior fato de nossa passagem. Jamais aceito o que diminui a ação de ir, seja no tempo, seja no espaço, seja no conhecimento, seja nas emoções e memórias. Lamento que não tem a mesma inspiração, ou não a tem suficientemente para ir, e reaje à crítica destrutiva de quem vai. Não nos ocupemos. Vida interna ou externa é movimento.

Ouro Preto 3

Reflexão de Viagem 3 - Mariana

"Mariana não tem nada. Fique em Ouro Preto. Vai lá e volte no mesmo dia." Conselho à parte eu fui, com mala e tudo. Hospedei-me num hotel. Andei um pouco à noite. Tomei uma cerveja e comi um lanche maravilhoso. De fato, Mariana parece um bairro de SP, só que mais tranquilo. Existe um pequeno espaço de construções do século XVIII. Talvez haja mais coisas para fazer. Não explorei mais. Mas eu queria vir de qualquer jeito. Conheci uma pessoa bacana, que por si só valeu também. O meu maior prazer, além disso, é poder sentir as pessoas moradoras no seu dia a dia. Ainda que tudo fechado ontem e hoje, entrar em bares locais, conversar com as pessoas, comer o que todos comem, ouvir diálogos prosaicos me encantam e dizem bastante de minhas impressões. Uma amiga se impressionou comigo na quarta-feira, antes de eu viajar, "que memória, hein?", sobre algo que ela me falara em 2015. Não posso esquecer com facilidade. São minhas matérias literárias. O que as pessoas falam, como se comportam, como reagem, os diversos olhares e sorrisos e expressões. Quem escreve vive do outro. Não há muito sentido reconstruir na literatura e na arte uma expressão, um tom de voz, um olhar sem respaldo algum com alguma realidade. Um filósofo grego disse que se os homens fossem cavalos, seus deuses teríam a forma de cavalos. Assim para todas as sensações e apreensões humanas. Também dizem que os poetas eram úteis na Grécia antiga para orientar os jovens - opinião com a qual Platão discordava. Entre concordar e discordar, subimos e descemos. Se não houver tensão, não existe vida, já que a vida é uma luta em todos os sentidos. Esta viagem de volta de Mariana a Ouro Preto, dentro do ônibus comum vale pela linda jovem a dois acentos de mim, que vejo dorme um descanso gostoso, como meditação. Ela me lembra muito aquela minha amiga que citei no início, que me disse "que memória!". Sempre digo que somos o conjunto de nossas memórias e que memórias com vida são emoções arquivadas. Se não ancorarmos emoções a uma memória, nós perigosamente ficamos no limiar entre a depressão e a tristeza profunda. Depressão é ausência de emoção. Tristeza é uma emoção, assim como a alegria, euforia e a esperança. Espero que quem me leia compreenda. A vida passa...

Ouro Preto 4

Reflexão de Viagem 4 - Ouro Preto Final

Retorno

Lá atrás na foto abaixo vai ficando Ouro Preto. Eu poderia permanecer mais um dia, mas foram três, que se revelaram suficientes para novas memórias, que higienizaram minha rotina. Nesta viagem (a segunda que faço na vida!), aprendi o que é ser blogueiro. Foi uma jovem, que conheci, que me disse "tipo blogueiro" seu perfil. Vou me apropriar do conceito, porque soa menos exibicioniata. Se bem que compartilhar perspectivas culturais numa viagem não é bem um exibicionismo patético. Posso compartilhar momentos, como inspiração às pessoas, dentro do meu olhar, seja poético, seja reflexivo, seja curioso. Neste meu último dia conheci a Patrícia - uma jovem bem interessante, e conversamos sobre tudo. Ela é ricamente exótica, bibliotecária, de Manaus. Eu amei, e já falei do meu livro "Miguelito: Memórias" para ela, e li as partes que dizem respeito a Manaus, como o Morro da Liberdade, e ela me fez algumas fundamentais observações. Não sei se quero outra coisa para mim daqui para frente, senão viver minha liberdade conquistada, e mesmo assim assistida. Sou pai. Estou livre para o que eu quiser, e responsável para não abusar dela, nem de nada, nem de ninguém. Prefiro acolher lugares, coisas e pessoas. Disse à Patrícia que é impossível não levar meu olhar às impressões as minhas palavras, porque depois de uma certa intimidade (já falávamos de tudo), eu tive de descrever a primeira impressão que tive dela com a que criei em nossa despedida "reparando bem, seus contornos estão deixando você bem mais bonita." Como disse, se eu olho para algo, é impossível esquecer que posso usar as palavras para dar voz ao meu olhar. Sei que é muita pretensão e soa muito pobre. Viajar para escrever é pouco. É e não é. Viajei para agregar novas memórias e renovar emoções. Naqueles momentos quase mortos de uma viagem, eu aproveito e escrevo. Tive quatro momentos de Reflexão, e este é o último. Dois deles deitado na cama, um dentro do ônibus comum e este agora no ônibus de viagem, retornando. Tive o privilégio de estar na Praça Tiradentes no início de um evento de cervejas artesanais e vários shows. O privilégio de estar em uma cidade histórica do Período Colonial brasileiro (1532-1808) que faz muito sentido para mim nas artes, na arquitetura, na História e na Literatura. Minha filha, que estuda aqui, me disse "cuidado com os taxis". Em momento algum peguei taxi. Subi e desci morro, bem uns cinco quilômetros ida e volta, a pé. Com as pessoas, eu adorava os sotaques. Puxava assunto para ouvir com atenção. O gostoso foi em Mariana, jovens usando o "sô" como fosse o "né" paulistano. Quem é paulistano caricaturiza o "sô" mineiro, assim como os brasileiros fora de São Paulo caricaturizam o "orra meu!" paulistano. Quem é de SP capital sabe que não falamos hoje em dia este "orra meu!". Mas está valendo. É cultura, é retrato, é caricatura, é o olhar do outro sobre nós. A quem tem dúvida, eu aconselho a perder a vergonha e viajar sozinho. Uma pessoa até imaginou que eu estava em grupo. "Vim sozinho." Ela silenciou um pouco meio sem graça. Nem expliquei. Continuei tomando a minha IPA. Aliás, é muita cerveja artesanal. E se volto hoje também é porque mais um dia bebendo eu não aguentaria, nem fisicamente, nem financeiramente. Vale a pena. Sempre vale.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Cada Pessoa

Cada pessoa que um dia amamos e que um dia deixamos de amar torna-se um luto, que para alguns quase não dura, e para outros não terá fim. Não que sejam inesquecíveis todos os amores. Ao contrário, porque amores se sobrepõem a amores. Uns vão; outros vêm. É apenas a sensação de quantos futuros amores ainda incomodarão nosso luto que machuca os sensíveis. Não bastam os do passado? Não é de todo péssimo escolher amar o tempo presente e os momentos reais ao lado da pessoa, e tão somente ao lado, sem idealizar nada, neste momento presente. Somos imperfeitos. Desejamos compreensão, sim. A compreensão nos encanta, que nos apaixona. Mas é uma idealização, que um dia irá se humanizar, e tudo que é humano morre.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Empath

Excerpt from Dr. Judith Orloff’s book, The Empath’s Survival Guide: Life Strategies for Sensitive People 

Empath Self-Assessment

Have I’ve been labeled as “overly sensitive,” shy, or introverted?

Do I frequently get overwhelmed or anxious?

Do arguments or yelling make me ill?

Do I often feel like I don’t fit in?

Am I drained by crowds and need alone time to revive myself?

Am I over stimulated by noise, odors, or non-stop talkers?

Do I have chemical sensitivities or can’t tolerate scratchy clothes?

Do I prefer taking my own car places so I can leave early if I need to?

Do I overeat to cope with stress?

Am I afraid of becoming suffocated by intimate relationships?

Do I startle easily?

Do I react strongly to caffeine or medications?

Do I have a low pain threshold?

Do I tend to socially isolate?

Do I absorb other people’s stress, emotions, or symptoms?

Am I overwhelmed by multitasking and prefer doing one thing at a time?

Do I replenish myself in nature?

Do I need a long time to recuperate after being with difficult people or energy vampires?

Do I feel better in small cities or the country than large cities?

Do I prefer one-to-one interactions or small groups rather than large gatherings? 

Now calculate your results:

If you answered yes to one to five questions, you’re at least partially an empath.

Responding yes to six to ten questions means you have moderate empathic tendencies.

Responding yes to eleven to fifteen means you have strong empathic tendencies.

Answering yes to more than fifteen questions means that you are a full blown empath.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

À Tatiane (poema)

À Tatiane

Seu rosto delicado,
Palavras tão macias
Dos lábios apaixonates,
Todo beijo apaixonado,
Que refaz o seu instante.
Beijar amando o mundo,
Seu mundo enamorado,
Que converte lágrimas
(Todas nossas!)
Em algo, esperança,
Da mulher que sonha,
Fascina, fascinante.
Um sonho acordado,
Bela é, luz divina.
É anjo, sim, da alvura,
Que a noite afugenta.
Sua pele, Tatiane,
Seu terno sorriso,
Arrebata o ardor,
Do amor, todo amor
Que aplaca a dor no toque,
Que amor algum supera
Seu carinho encantado,
Que faz amar corações.
Não só ame, Tatiane!
Ame e encante.
Nem o bruto se converte
Quando raia o dia,
Que alegra as horas andantes.
Ame a todos, Tatiane,
Que amor nos contagia.
Se não amar com alegria,
Ame os versos que inspiram
O ardor sempre vibrante.
Inspiração maior procuro,
E tento refazer o desfeito,
Olhando aqui em Ouro Preto,
Vêm-me à mente, eles,
Os inconfidentes, e suas musas.
Por instante, converto-me,
Num pobre poeta errante.
Marília, de Dirceu, bela e pura,
Tatiane, dos meus versos,
Linda e delicada amada.
Ainda mais outros tantos,
Versos surgem e surgirão,
Porque nada racional aguenta,
O repente, inspiração.
Se hoje sou pego por hora,
Logo serei acalentado,
E aquilo que crio agora,
Entregue será ao passado.
Tenha este esforço meu,
Um desejo de ir além.
Que vejo de amor em você,
Aos olhos de quem crê,
Mais do que um poema,
Quero ir na essência
A par do que lhe traduz,
Bela, linda, amor, minha luz.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Existe a Filosofia

Existe o todo e existem as partes. Existe o particular e existe o universal. Existe a porção e existe o globalizante. Tenho lido sobre o universal. Na verdade, sobre a História Universal. De imediato, não creio em universalização, não creio em uma teoria que unifica, engloba e totaliza o conhecimento. Para mim, a filosofia parou em Kant, e depois dele aprendemos a pensar como Kant. Inclusive quem nunca leu Kant. Fui entender Kant apenas em 2016. Olha que eu já tentei inúmeras vezes compreendê-lo ao longo de vinte anos. Kant me ensinou didaticamente que duas coisinhas parecem ser realmente universais e ao mesmo tempo incompreensíveis para a mente humana, e para quem gosta de pensar - assim como eu - na mente humana: o Tempo e o Espaço. Kant escreveu que somos simultâneos no espaço. Eu, você, o mar que é minha paisagem agora, o sol que esquenta a areia da praia, e algo mais distante no universo que a imaginação humana não sabe onde é. No tempo, somos sucedâneos, consecutivos, somos constantes, porque o tempo é indelével. No tempo nossos eternos no passado e no futuro - existindo ou não existindo a mente humana. O tempo não existe senão em si e o espaço existe para nós, sol, planetas, buraco negro, partículas, que existimos, ou para o que virá a existir e para o tempo. Sem o espaço, o tempo interrompe seu percurso. Foi Einstein que disse. Nossa história é uma sucessão de acontecimentos que nos marcam a alma, assim como outro acontecimentos que são esquecidos. Chamamos de tempo de vida nossas experiências marcantes. Inclusive os traumas, que roubam malignamente nosso tempo. Tiramos de nossas experiências as dores e as alegrias, que também são relativas. Existem sentimentos inesquecíveis, porque habitam a memória de cada um de nós. Tenho os meus. Todos os temos. Por mais que exista algo de universal nos sentimentos humanos, eu observo o mar e reflito. Digo para mim mesmo que jamais uma onda no mundo será igual à outra - não importa quão eterno tem sido o movimento, não importa quão eterno será seu movimento. Ela vem, quebra, sonoriza algo, recua, semelhante a qualquer vida humana, que eu creio nunca haverá uma igual, ou semelhante à outra - ainda que compartilhemos o mesmo tempo, o mesmo espaço, os mesmos sentimentos. Jamais saberemos o que de fato o outro é. Quem me ensinou pensar assim foi Kant. Nossa razão possui um limite. Assim vejo também a História Universal da Humanidade. O Universal é o que tem de mais diversificado em qualquer teoria totalizadora. Sinto os estudos do cérebro humano - a atual neurociência - mais especificamente a parte dele chamada "neurônios-espelho" algo futuro do que explicará po rque pensamos, por que refletimos, por que somos introspectivos, por que olhamos para nós mesmos e por que conseguimos olhar para o outro dentro de nós mesmos. Sou mero curioso sem ter vontade de passar meu tempo em festas, ebriedade e frivolidade, porque gosta de aprender e quanto mais aprende, mais relativiza suas certezas e mais se entraga à poesia e à arte poética. Às vezes arrisco uma reflexão cujo modesto objetivo é tentar organizar as leituras sobre um tema tão específico como a História Universal da Humanidade, para qualificar-me no mestrado sobre o romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis. Ironias à parte, um celular como esse em minhas mãos é a máquina de escrever na escrivaninha do passado, onde nossos intelectuais se intelectualizavam. Com o celular, podemos nos permitir arriscar reflexões e poesia em qualquer canto, inclusive na praia, uma praia tão linda como essa. Eu não enumero quantas ondas já se quebraram enquanto escrevo, mas as ondas não me deixam esquecer-lhes. Além de serem minha 9° Sinfonia de Beethoven, elas são a diversão de muita gente, e cada qual na sua fruição apaixonada, ou simples frivolidade.