Reflexão de Viagem 3 - Mariana
"Mariana não tem nada. Fique em Ouro Preto. Vai lá e volte no mesmo dia." Conselho à parte eu fui, com mala e tudo. Hospedei-me num hotel. Andei um pouco à noite. Tomei uma cerveja e comi um lanche maravilhoso. De fato, Mariana parece um bairro de SP, só que mais tranquilo. Existe um pequeno espaço de construções do século XVIII. Talvez haja mais coisas para fazer. Não explorei mais. Mas eu queria vir de qualquer jeito. Conheci uma pessoa bacana, que por si só valeu também. O meu maior prazer, além disso, é poder sentir as pessoas moradoras no seu dia a dia. Ainda que tudo fechado ontem e hoje, entrar em bares locais, conversar com as pessoas, comer o que todos comem, ouvir diálogos prosaicos me encantam e dizem bastante de minhas impressões. Uma amiga se impressionou comigo na quarta-feira, antes de eu viajar, "que memória, hein?", sobre algo que ela me falara em 2015. Não posso esquecer com facilidade. São minhas matérias literárias. O que as pessoas falam, como se comportam, como reagem, os diversos olhares e sorrisos e expressões. Quem escreve vive do outro. Não há muito sentido reconstruir na literatura e na arte uma expressão, um tom de voz, um olhar sem respaldo algum com alguma realidade. Um filósofo grego disse que se os homens fossem cavalos, seus deuses teríam a forma de cavalos. Assim para todas as sensações e apreensões humanas. Também dizem que os poetas eram úteis na Grécia antiga para orientar os jovens - opinião com a qual Platão discordava. Entre concordar e discordar, subimos e descemos. Se não houver tensão, não existe vida, já que a vida é uma luta em todos os sentidos. Esta viagem de volta de Mariana a Ouro Preto, dentro do ônibus comum vale pela linda jovem a dois acentos de mim, que vejo dorme um descanso gostoso, como meditação. Ela me lembra muito aquela minha amiga que citei no início, que me disse "que memória!". Sempre digo que somos o conjunto de nossas memórias e que memórias com vida são emoções arquivadas. Se não ancorarmos emoções a uma memória, nós perigosamente ficamos no limiar entre a depressão e a tristeza profunda. Depressão é ausência de emoção. Tristeza é uma emoção, assim como a alegria, euforia e a esperança. Espero que quem me leia compreenda. A vida passa...
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