Reflexão de Viagem 4 - Ouro Preto Final
Retorno
Lá atrás na foto abaixo vai ficando Ouro Preto. Eu poderia permanecer mais um dia, mas foram três, que se revelaram suficientes para novas memórias, que higienizaram minha rotina. Nesta viagem (a segunda que faço na vida!), aprendi o que é ser blogueiro. Foi uma jovem, que conheci, que me disse "tipo blogueiro" seu perfil. Vou me apropriar do conceito, porque soa menos exibicioniata. Se bem que compartilhar perspectivas culturais numa viagem não é bem um exibicionismo patético. Posso compartilhar momentos, como inspiração às pessoas, dentro do meu olhar, seja poético, seja reflexivo, seja curioso. Neste meu último dia conheci a Patrícia - uma jovem bem interessante, e conversamos sobre tudo. Ela é ricamente exótica, bibliotecária, de Manaus. Eu amei, e já falei do meu livro "Miguelito: Memórias" para ela, e li as partes que dizem respeito a Manaus, como o Morro da Liberdade, e ela me fez algumas fundamentais observações. Não sei se quero outra coisa para mim daqui para frente, senão viver minha liberdade conquistada, e mesmo assim assistida. Sou pai. Estou livre para o que eu quiser, e responsável para não abusar dela, nem de nada, nem de ninguém. Prefiro acolher lugares, coisas e pessoas. Disse à Patrícia que é impossível não levar meu olhar às impressões as minhas palavras, porque depois de uma certa intimidade (já falávamos de tudo), eu tive de descrever a primeira impressão que tive dela com a que criei em nossa despedida "reparando bem, seus contornos estão deixando você bem mais bonita." Como disse, se eu olho para algo, é impossível esquecer que posso usar as palavras para dar voz ao meu olhar. Sei que é muita pretensão e soa muito pobre. Viajar para escrever é pouco. É e não é. Viajei para agregar novas memórias e renovar emoções. Naqueles momentos quase mortos de uma viagem, eu aproveito e escrevo. Tive quatro momentos de Reflexão, e este é o último. Dois deles deitado na cama, um dentro do ônibus comum e este agora no ônibus de viagem, retornando. Tive o privilégio de estar na Praça Tiradentes no início de um evento de cervejas artesanais e vários shows. O privilégio de estar em uma cidade histórica do Período Colonial brasileiro (1532-1808) que faz muito sentido para mim nas artes, na arquitetura, na História e na Literatura. Minha filha, que estuda aqui, me disse "cuidado com os taxis". Em momento algum peguei taxi. Subi e desci morro, bem uns cinco quilômetros ida e volta, a pé. Com as pessoas, eu adorava os sotaques. Puxava assunto para ouvir com atenção. O gostoso foi em Mariana, jovens usando o "sô" como fosse o "né" paulistano. Quem é paulistano caricaturiza o "sô" mineiro, assim como os brasileiros fora de São Paulo caricaturizam o "orra meu!" paulistano. Quem é de SP capital sabe que não falamos hoje em dia este "orra meu!". Mas está valendo. É cultura, é retrato, é caricatura, é o olhar do outro sobre nós. A quem tem dúvida, eu aconselho a perder a vergonha e viajar sozinho. Uma pessoa até imaginou que eu estava em grupo. "Vim sozinho." Ela silenciou um pouco meio sem graça. Nem expliquei. Continuei tomando a minha IPA. Aliás, é muita cerveja artesanal. E se volto hoje também é porque mais um dia bebendo eu não aguentaria, nem fisicamente, nem financeiramente. Vale a pena. Sempre vale.
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