Em 1995, na USP, fazia o primeiro ano de Letras. Estudava Linguística, Língua Portuguesa, Literatura e Língua e Literatura Alemã. Daí minha forte base em filosofia. Nos primeiros meses senti angústia, no entanto. Pudera! Um jovem alfabeto funcional não encara com naturalidade as aulas que eu tive. Das aulas, lembro-me o professor falando de "crioulo", "pidgin" na história da língua Portuguesa. Nada entendia. Eram palavras técnicas e estava muito claro que as palavras para mim só tinha sentido concreto. Mesa era a mesa que eu via e sentia; chuva era a chuva que via e sentia; amor era uma sensação que eu cultivei pela Lica ao longo de anos, logo, eu sabia o que era. Agora, "crioulo" e "pidgin" não sentia, nem via, e não entendia. E ironicamente, hoje, dando aulas de inglês, pude no final falar sobre. Falar com propriedade. Explicar. Receber algumas palmas acaloradas e as que mais chamaram minha atenção foi de um aluno que mora em Itaquera, corintiano e de 70 anos. Nunca é tarde. Ele aprendeu o que é crioulo e pidgin.
Nenhum comentário:
Postar um comentário