Uma parte de mim diz que se sente ridícula só em pensar em fazer-me voltar a amar como adolescente. A outra parte de mim silencia na maioria das vezes, intimidada pela vergonha de pensar assim, porque é um sacrilégio, uma iconoclastia, um assinte à vida remunciar ao Amor. Tenho minhas desculpas e o equilíbrio é lembrar-me que "eu já vivi". Arremato a experiência de outrora amar com "não preciso mais". Quero dizer que amar cansa com a idade, porque viver cansa o amor. Quem não se cansa de amar, esquece de viver, porque não vive para si. Claro que falo do amor romântico. Se amar na minha idade não fosse como é na juventude vigiar, dar satisfação, fingir indiferença, cobrir carência, tapar buracos que não abrimos; se amar na minha idade fosse essencialmente fidelidade com a reciprocidade, e nada mais, ou seja, troca essencialmente de essências, sem exigir, nem mudar, nem querer nada do outro a não ser a liberdade da pessoa querer estar ao seu lado o momento em que quiser! Falo de um ideal e de uma realidade. Amar a posse é a realidade. Amar dignamente a dor da perda do amoe romântico é o ideal. Falo cansado sobre um assunto que cada dia vou me esquecendo. Aliás, escrevo um romance sobre. Sobre iniciar a amar. Porque já soube como ele se me apresentou. Como um filósofo que espera, deleito-me em aprender porque me traz sentido neste mundo passageiro com quase nenhum sentido.
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