Eu aprendi a não gostar de selfies. Eu dentro das minhas selfies. Uma que já passou meu momento de fazer bico, ou cara de indiferente, ou pose de feliz, ou qualquer outra forma que me coloca em uma selfie, e o outro motivo é que gosto de ser lido nas minhas reflexões. Eu até tenho bom argumento. Ver uma selfie dura uns 2 segundos. 200 likes em uma selfie, 400 segundos, o que dá uns 7 minutos de visualização e atenção por 200 pessoas. Ler um texto meu exige pelo menos um 5 minutos. Se tiver 5 likes, 25 minutos de atenção por cinco pessoas. Não me refiro à quantidade, nem ao tempo, nem à qualidade. Refiro-me a própria imagem que buscamos de nós mesmos neste mundo. Eu quero a minha imagem do modo como eu a construo naquilo que me faz bem, que tenta fazer bem ao outro. Já não sou mais inocente como Adão antes da maçã. A partir do momento da perda da pureza do olhar, dando lugar à malícia, ou manipulamos as pessoas para nosso interesse, ou marcamos o limite delas sobre nós. Quero ser útil a quem precisa do que eu chamo meus próprios talentos para quem precisa. Escrever e ensinar me resumem no que tenho para contribuir. A partir destes dois, amplio o horizonte de quem precisa de mim nestes meus dois talentos. Estes meus limites. Ou seja, fora do que está relacionado a ler e a aprender, escrever e ensinar, não me sinto bem porque não me sinto eu servindo ao próximo. Não desistirei das selfies quando achar divertido, e houver alguma mensagem implicitamente importante. Disse a uma conhecida de trabalho que ao envelhecer precisamos de lastros, ou algo que nos prenda à vontade pessoal de ser feliz. Beber e dançar, assim como viajar, apreciar todas as artes e festas etc. são escapes essenciais e importantes, mas não são lastros que nos prendem. Jogar futebol, treinar musculação, correr são meus escapes, mas não lastros para a minha vida neste meu momento em que ter razões para viver é crucial para sentir-me bem interiormente. Amar a vida é semelhante a qualquer amor ao longo de nossa existência, que nos enganará em algum momento. A vid definha, assim como qualquer amor que, de alguma forma, um dia partirá...
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