Contrariedade. Contrário. Sem ser arrogante, continue lendo este pequeno texto. Creio que ele será útil. Pode ser que ele ajude você a perceber a ausência do contrário como paz. A paz verdadeira ao ser humano quando o contrário não perturba mais.
Indo para a Cachoeira Loquinhas aqui na Chapada dos Veadeiros, fui a pé. Ninguém vai a pé. Não vi ninguém a pé. Eu fui e voltei a pé. Bem seus 3km. Para ir e para voltar. Fui e sentia a terra batida nos tênis velhos, o calor no chapéu pouco usado e algo pouco comum que era o som ambiente de quem anda sozinho na natureza. O detalhe não era a natureza. O detalhe era sozinho, querer estar sozinho e de modo egoísta sentir tudo aquilo como apenas para mim. Fui egoísta e agradecia ir...
Em seguida me ocorreu a contrariedade. O fato de em momento algum sentir-me contrariado por ninguém. Do tipo: "é longe", "demora", "que calor!", "to com sede", "deveria ir de carro", "dor nas pernas" e por aí vai. E não ser contrariado é estar só. Claro que estar só não é a solidão. Não sou contra a solidão. Pelo contrário. Já disse que a solidão não se vence cercado por pessoas. É algo mesmo bem pessoal, dentro de nossa mente e quanto menos pessoas e mais sensações, a solidão se dissipa no ar. Ah, e a solidão amadurece, reconhece, fortalece, engrandece, nos faz ser quem realmente somos.
E indo à cachoeira sozinho, ocorreu-me que algumas vezes em nossas vidas, precisamos não ser contrariados. Não é bacana sempre um outro para nos trazer o porém. O insight foi forte. Não havia ninguém naquele momento para eu me preocupar; ninguém para julgar; ninguém para desfocar o que meu eu queria; ninguém para me contrariar e logo a solidão com a natureza era a minha harmonia e minha felicidade. Agradeci. A cada suor e aos poucos goles de água de minha garrafinha plástica.
Tirei fotos. Gravei audio. Entrei na água gelada que me tirou o fôlego, literalmente por alguns segundos. E não brinco. Eu brinco para ensinar e não para fazer rir. Está ai como é bom sentir-se solto. Nem todos amam ou sentem esta vontade. Vontade de estar só. Parece mais fraqueza de derrotados do que fortaleza de quem é autônomo. Mas aí é julgamento, né? Julgar é bom. Mas julgar é uma mão dupla.
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