Sua vida não é apenas consumo. Ou não deveria ser. Se sentimos prazer com o consumo, as propagandas fizeram seu efetivo papel em nossa mente. Para a grande maioria, a vida também não deveria ser apenas pagar contas do mês. Se fazemos apenas isto, escravos. Somos. Não nos diferenciamos dos escravos, já que não nos pertencemos. Mas sim às dívidas. Cruel.
No entanto, a circulação de nossa sociedade depende disto: consumo e pagar contas. Não pare. Eu queria que você continuasse lendo. Este texto. Ele será o mais breve possível. Mas não dá para fazer refletir algo escrevendo "né?" ou "né não?", como se nos restasse a idiotice, a alienação, a resignação dos "né nãos?". A vida está nas estradas; não nos postes que as aluminam.
E hoje visitei Juiz de Fora-MG. Cidade sem atrativo turístico. Mais cariocas que mineiros. Eu sem destino para onde ir. Quis o destino, porém, que a pessoa da minha frente comprasse uma passagem para Juiz de Fora. Na Rodoviária do Tietê. Fui o próximo:
- Belo Horizonte, por favor. E na janela, por favor.
E só tinha no corredor.
- Vê se tem janela para Juiz de Fora?
E embarquei. Juiz de Fora. Terra Natal da minha mãe. Ela viveu até seus 12 anos (eu acho) lá. Ela era chamada de tico-tico sem rabo pelo pai dela. De tão levada. E hoje fui ver o endereço da casa onde morou (foto). Parece que é ainda a mesma com algumas mudanças. E fui lá no cemitério municipal encontrar o túmulo de meu avô (falecido em 1963). Não achei. Mesmo assim ficaram as histórias. Histórias que tem valor para quem é próximo. Nem vale muito lembrar algumas.
Fato também é que minha aluna Edméia, que mora em São Paulo, que estuda comigo, estava aqui porque tem parentes aqui. E nos encontramos. E posso falar. Comi o melhor pururuca de minha vida até hoje. Caseiro. Feito pelo irmão, Capitão reformado da PM. Aliás, meu avô também reformou-se com a mesma patente, do Exército.
A querida Thais, sobrinha da Adméia, psicóloga e trabalha com doenças mentais como esquizofrenia, apresentou-me de carro a UFJF e em seguida o Mirante para um panorama geral da cidade.
Há quem prefere ser turista em uma cidade; eu prefiro ser visita, pedir licença para entrar e conhecer as pessoas mais do que os lugares: além da Edméia, Thais e sua festeira e acolhedora família, conheci coveiros, um dono de boteco que me ensiou que há pessoas que não nasceram para ser ricas (o caso dele, porque desfez 3 milhões em patrimônio). E claro, a doce Helena de 8 anos, filha da Thais, inteligentíssima e de um inglês precioso (ela está numa escola bilingue).
E viajar pode ser assim. Livre. Desde que se acredite que a solidão seja uma companheira das mais afáveis e parceiras porque ela vai acompanhar você para onde for, desde que você vá sem se preocupar com a solidão.
Em resumo. Estou agora, neste momento, dentro de um ônibus indo a Brasília. Sempre tive vontade. Cada canto para onde formos será algo mais ou menos igual. Há pessoas, há comida, há cultural local, há vidas presas naquela de viver para consumir e escravas das dívidas. Há de tudo. Penso que, para finalizar, à certa altura da vida, o peso de logo deixar de existir neste planeta diminui a ansiedade de ter as coisas e fortalece a liberdade de desprender-se das amarras. Exato: queremos mais ser e livres para ir sem frescura, e crer que viver, não importa se aos 40, é sem dúvida uma viagem. Vamos ver Brasília como visita:
- Com licença, posso entrar?
Do que como turista:
- Sai da frente que quero tirar as minhas selfies das Esplanadas.
Claro que tirarei selfies.
Mais como visita do que turista! É isso!
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