- Mas é sério isto?
E era tão sério que nada disse. Absolutamente nada. Fez com os olhos o máximo possível de uma difícil indiferença que não fosse nem arrogância, nem despreso, nem ato falho de dizer o contrário. Ele recusou cerveja. Pediu um conhaque.
Sem mais saber o que falar, as despedidas entre eles eram antes em forma de brigas silenciosas de estresses emocionais, desentendimentos que machucavam o psicológico de ambos.
Ela quis dizer "tudo bem então!", mas jamais deu a útima palavra em momento algum e não revelaria agora seu pensamento de medo. Ela deu um gole na cerveja. Encheu o copo depois.
O orgulho a dominava porque ela o dominou sempre inconscientemente, sendo inconscientemente dominadora com uma crueldade torturante e por isto ele cedia: ela era chantagista. Desesperador sentimento porque o outro sofre sem saber o que fazer nem como.
A vida o encheu de responsabilidades que ele sempre procurou. Ele sempre fez. Sabia fazer do seu jeito limitado. E fez nos seus limites. Tudo. Ele sabia esconder suas verdades internas de angústia e tristeza e se comunicava doentemente com seu inconsciente. Ela não tinha tempo para isto. Ele sabia: o chantagista atua na fraqueza da pessoa. Ela atua em minha fraqueza. A dele era a preocupação.
Demorou para arrancar de sua alma tanta preocupação do outro. Refletiu tudo isto sorrindo para um amigo.Terminou o conhaque. Recusou mais.
Ele via claramente uma vontade louca dela da expressão "absurdo!". E se ela dissesse algo, ele simplesmente faria o que nunca fizera. Ignoraria. Provavelmente ela não fala mais nada, refletiu. Iria embora. E em meia hora. Pouco mais das oito. Marcou às nove. Ele não queria nem ouvir dela.
- Absurdo!, ela disse, em seguida, batendo o copo na mesa. Derramou cerveja.
Ele se levantou. Era uma festa pequena. Amigos. Ouviu com o pensamento mais calmo do que nunca. Ela se sentiu insegura. A verdade era outra agora. Ela quis gritar. Acusar o mundo. Não! Não! Ela engoliu a calma dele. Ele se levantou da cadeira. Nem adeus, nem boa noite, nem coisa alguma para ela. Despediu-se da festa do amigo. Seu coração em total paz. Nem olhou para trás. Dor alguma. Preocupação nenhum. Sua vida de volta. Ela, por sua vez, continuou bebendo cerveja. "Orgulhoso!", sussurrou indignada. Ele? Ele não. Era um homem totalmente apaixonado agora.
- Juliana, estou saindo mais cedo do churrasco. Chego aí oito e meia, deixou uma mensagem de voz.
Um homem verdadeiramente apaixonado. Entrou no carro. Ligou o rádio. "Eu preciso dizer que te amo". Cazuza. Amou a canção. Partiu e foi lá buscar parte de sua verdadeira felicidade. E pensou naquela noite em pedir sua mão em casamento.
www.contossuaves.com.br, para adquirir meus livros Contos Suaves e Não é Conto nem Fábula, Lenda ou Mito
Nenhum comentário:
Postar um comentário