segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Q.I. 171

Hoje chove. Pouco. Mas chove. Um frio agradável bate nas pernas. Não existe cachoeira que resiste às águas. O chão e solo úmido me lembra São Paulo. O trovão me lembra dia à tarde em São Paulo. E ao fim viajar sempre é um retorno ao que mais amamos. Vamos, encontramos, nos envolvemos, conhecemos a cultura, a comida, as facilidades, as dificuldades, aprendemos quem somos diante do estranho, e aprendemos que os estranhos podem ser mais estranhos que um personagem de livro, e agradecemos o início do fim. Começou a chover. Indica que está na hora de ir, encantado com os três dias... Caramba, se eu descrever muito minha percepção daqui, eu vou deixá-la muito feia do que a beleza exige.

O barato são as respostas para as perguntas que você nem fez. Conheci uma jovem, 25 anos, com dislexia, déficit de atenção, hiperatividade e com QI 171. Eu tenho certeza de que ouvi errado. Mas ouvi isto. Tem também um cara que conheci numa pracinha de 21 anos. Ele interpreta, toca um bom violão compõe muito, letras impressionantes. Eu já tinha tomado umas cachacinhas e mesmo assim não perco meu poder de julgar. Eu disse. "Você vai fazer sucesso, meu velho!" Mas quem dá atenção a um senhor cheio de biritas na cuca. O detalhe. Ele e a namorada vieram de MG e estavam com 20,00 reais no bolso. Eu não acreditei. Dei 100,00 do pouco que eu tinha. Mas ai "Deus em São Paulo é uma nota de 100", manda o Mano Brown. Como meu Deus é o vivo, eterno, senhor de tudo, eles se espantaram com meu gesto. Já disse. O plano de vida da maioria das pessoas é o superficial. Eu já fui superficial. Em várias ocasiões me entrego à futilidade e à superficialidade. Deixar-se bobo. Deixar as pessoas bêbadas em suas próprias conclusões.

Ah, concluo sempre. E o dia está nublado agora, a chuva logo volta, parece interior de São Paulo, aquele um tanto aborrecido e fastidioso. Amei esta breve experiência literal de, aos 40, no meio de minha vida, poder permitir-me solto interiormente. E conheci. Mas conheci gente. Nenhuma me completava porque todas eram parciais. Aliás, todos somos parciais.

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