domingo, 6 de dezembro de 2015

Fêmeas humanas não comem placenta

Uma cena forte para mim na vida animal é a fêmea devorando a própria placenta após o parto da sua cria. Seja quais das boas razões e benefícios há nisto, um gesto instintivo e sem julgamento. Mais do que alimento, porém. Ou que seja apenas mais um alimento fácil que lhe traga energia, é um ato que nossa cultura vê com nojo e incluve desnecessário.

No parto humano, não me lembro de uma cultura em que a mulher coma a própria placenta. Pode inclusive ainda haver tribos que o façam. Ou tribos que faziam e veneravam este gesto. A natureza tem algo uniforme e comum e belo que harmoniza todas as espécies em uma massa homogênea válida para todos. Por mais que há cultura em nós, somos natureza.

Em nossa cultura, alguns aspectos da natureza foram psicologicamente domesticados. O fato se evidencia hoje na mulher humana, ou na fêmea humana, não precisar devorar a própria placenta assim que nasce seu rebento. E os partos são aos milhares todos os dias. Da placenta do parto, se especula bastante nutriente e coisa para a ciência: desde as células-troco a enzimas e substâncias para a cura do virus da AIDS. Uma riqueza que envolve o filho que vem ao mundo sentir o que os vivos sentem e que a espécie perpetua. Sou fã da vida. Admiro a força e a fragilida de nossas crias. Amo ver o corriqueiro como uma milagre. Amo olhar e sentir.

Para mim, nada mais sacro em toda a sacralidade de nossa espécie, ou de qualquer espécie, que a maternidade. Viver é pouco se comparado ao nascer. Superar a vida que chega é um nada à vida que termina. Uma mulher grávida deveria ser venerada como Deusa, embora a minha fé apenas venere o Deus único. Tal a vida que ela carrega, que sem ela, a mulher, não teríamos a nós mesmos.

Amo as mulheres, como minha mãe, pelo potencial pai que todos os homens podemos ser e pelo pai que sou, pelo pai que deixo meus filhos serem o que a vontade deles querem ser. Sei que para o amor, há o ódio. Meu lado é da admiração e carinho. Não dá para fazer que os contrários gostem também do amor da vida, mas dá para dizer a quem ama a maternidade que estamos juntos. Juntos para nutrir sonhos. E florescer nossos rebentos.

Flavio Notaroberto

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