Meu maior amor juvenil
Uma das razões que me colocou a escrever, foi um longo e platônico amor. Não foi o meu primeiro (meu primeiro foi a Patrícia), mas com certeza o mais intenso. Este amor me ensinou que podemos amar e mesmo assim escolhermos entre nossos sentimentos e nossas vidas. Eu optei por minha vida. Não abri mão dela.
Algo me dizia que com ela, a Lica, eu seria infeliz e não construiria a minha ideia de família. Eu sempre quis ser pai. Para criar, estar presente, educar, brigar se necessário, e esperando as malcriações inevitáveis como hoje eu vivo. Não errei em minha previsão. Este meu platônico amor não casou, não tendo filhos e vivendo uma constante adolescência aos 38 anos. Incrivelmente nos encontramos no curso de inglês em 2012. Eu como professor; ela como aluna. Foi surreal. Na verdade, eu retomei contato com ela pelo Facebook. E eu a incentivei a fazer o curso e, mais do que isto, ir para o exterior. Ela é de família classe média. Os pais apoiaram a ideia e ela foi. Já está há dois anos morando lá, em San Diego.
E olha que bacana. Este amor me fez sofrer muito. E foram nos livros e leituras e poesias que descobri parte da tradução deste sentimento confuso e, na época, complicado para um adolescente como eu... Se sou escritor, eu devo a ela muito. Claro tive sorte ou sabedoria, no caso, de seguir minha intuição porque tive oportunidade de estarmos juntos, mas nada do que eu gostava, ela gostava. Seria um desastre. Devemos respeitar os gostos. E a empatia.
Não dá sempre para confiar na intuição. Conhecer uma pessoa, por isto, depende de um pouco de intimidade. Para o bem. Para o mal. Quantas frustrações não temos! Quantas expectativas quebradas nas intimidades. E que angústia, não? A ponto de perguntarmos: o que eu estou fazendo aqui?!? Exato.
Não devemos desconfiar das intimidades. Não desconfie das intimidades, ainda mais depois de repetidos momentos. Intimidade é a verdade. E mesmo que você se encante e desconfie do encanto, eu posso afirmar que o encanto não é o acaso, não foi sem querer, não foi planejado, premeditado: a pessoa deve ser mesmo encantadora. Disto eu não tenho dúvida. Não digo do sedutor que ilude; falo do encanto, que faz a pessoa crescer interiormente. O sedutor deixará você menos; o encantador, deixará você mais. E quanto encanto não temos ao nos sentirmos mais com a pessoa que nos encanta!
O que eu senti por este meu intenso amor lá no passado foi sedução. "Perdi-me dentro de mim." O que eu busco nas pessoas hoje em dia é encantamento, porque é bem o outro deixar você se sentir mais. Mais do pouco que somos. E na intimidade não vejo o complicado. Vejo um momento para decidir o caminho de nossa parcial felicidade. Saber o que quer e para onde ir nos faz felizes. E fiquemos com esta última: ser felizes. Estar bem com o outro que amamos dentro de nós.
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