terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Primeiros minutos

Calma. Não podemos nos iludir. Os melhores momentos de um possível relacionamento amoroso são aqueles em que começamos a conhecer a pessoa. Os melhores futuros (caso existam!) não se comparam com os primeiros minutos, as primeiras horas. E o olhar! O olhar. Não percamos o olhar. Os melhores momentos do início acompanham os marcantes olhares. Olhamos tudo no outro. Olhamos a fala, os gestos, as mãos, como anda, como se senta, como entra e sai de qualquer lugar, como sorri para si, para o mundo. Sorrimos com o olhar da pessoa; envolvemos tudo sem muitas palavras. E só o tempo revelará tão marcante início para nossa felicidade...

Verdade. Verdade também que nos primeiros minutos, com um pouco de percepção, as pessoas se revelam para nossa frustração. Não for um sedutor, uma sedutora com interesses escondidos, podemos ter uma nada boa experiência. Reciprocamente.

Quem não nos agrada nos primeiros minutos, nós geralmente guardamos o melhor de nós. Ela nunca nos conhecerá. Ficamos até mais idiotas. E deixamos nosso lado tosco se revelar, ganhar forma, corpo e infantilizar-nos. Mas para nos infantilizarmos intencionalmente precisamos ser muito maduros. Compreende?

O grande problema, porém, é quando temos o equilíbrio aterrorizante e surge dúvida acompanhada de um "mas e se..."; ou um "talvez não seja bem assim"; e ainda um íntimo "será que pode mudar ou vai ser assim sempre?". Minha tese: na dúvida, nossa intuição sempre será a mais certa a seguir. Será sempre assim.

Passados os primeiros e eternos minutos, que nos marcarão e seremos marcados, vem a esperança de que o outro saiba nos acolher. Os primeiros minutos serão fundamentais porque queremos ser acolhidos o máximo possível. No fundo, é tudo parte disto.

E convenhamos algo para terminar e deixar o pensamento entregue a si mesmo. Como é gostoso o novo! No fundo, toda nova amizade começa no silêncio, com o olhar somente; todo amor também é no silêncio. Eu amo as primeiras palavras, amo os primeiros momentos; chego a sentir saudades no momento inicial. Reflito: "poderia ser sempre assim; poderia todo futuro ser este início da descoberta do olhar." Mas o que eu amo mesmo é descobrir o outro no silêncio e, ainda mais, quando o silêncio basta e diz tudo. Existe algo mais acolhedor do que um agradecido silêncio?

Nenhum comentário:

Postar um comentário