A. não veio hoje para o trabalho. Pensei nela o fim de semana inteiro. Fui para São Paulo. Fim de semana intenso e muito produtivo na minha vida acadêmica. Saí à noite no sábado para uma cerveja e um filme alternativo muito perturbador, sozinho. Um dos testes para mim mesmo era saber qual a dimensão do sentimento de amor que venho especulando, para saber exatamente que amor é este que cresce em mim. Qual seu limite e a sua verdade dentro de minha mente? No cinema, na cerveja do bar, na agitação da Rua Augusta, A. não esteve presente fisicamente, claro, e raramente mentalmente - o que me deixou triste. Eu a queria em todos os momentos comigo, porque assim ela me protegeria da solidão. Será que eu estou amando-a ou eu estou me iludo por uma vontade íntima de redescobrir a vontade de voltar a amar alguém que não me ama? Mas por que amaria alguém que nem sabe da possibilidade de eu a amar, e nem vai saber em hipótese alguma que eu a ame? Parece confuso, mas deve haver alguma explicação sadia e racional. Eu até gostaria de imaginá-la comigo lá, para encrudescer a saudade por ela, que nos faz querer mais e mais a pessoa. Eu imaginava-a às vezes comigo, porque forçava lembrar-me dela. Não era algo expontâneo, de repente, incontrolável, como eu gostaria que fosse. Estou de fato amando-a? De fato, perdidamente, doentiamente, patologicamente? Não. Ainda não. Ainda espero como meta sentir meu eu apaixonado, envolvido pelo eu de outra pessoa, sem perder-me, e no caso esta pessoa seria a A. Creio que as emoções do amor fortalecem memórias do cotidiano - eu amo o cotidiano - ainda mais quando queremos registrar o processo de estar vivo desde o momento em que descobrimos que alguém começa a fazer parte de nosso cotidiano. A intensidade deste sentimento intensificará minhas emoções. É disso que efetivamente se trata? Eu me pergunto demais. Viver de modo intenso exige menos perguntas. Vou amar A. com muita verdade e profundidade. Vou imaginar seu jeito que me agrada, seu sorriso, seu olhar, seu modo de andar e de falar. Vou imaginar seu tom melancólico na vida, que parece de alguém que já sofreu muito, mas sofreu psicologicamente e busca proteção, amparo e acolhimento. Sei que amanhã não a verei ainda. Mas daqui a dois dias provavelmente sim. Para deixar este capítulo um pouco mais triste para mim, A. que estava solteira, parece-me que pode estar saindo com alguém, conhecendo alguém, gostando de alguém. Tudo indica que sim. Tudo aparenta que sim. Como ela é muito discreta, está por hora como minha especulação que me deixa ansioso. Não vou me angustiar muito, porque paradoxalmente seria um alívio entregar-me a um amor impossível, aqui em minha ideia. Mesmo porque, amar para mim é desejar o outro feliz. Se A. ficar feliz, ser feliz, realizar-se, ter seus filhos, casar, ser amada e amando, recolho-me em mim mesmo, sem deixar de escrever este romance que me ensina literalmente os passos de voltar a tranquilamente a amar. Quem já leu As Lamúrias do Jovem Werther pode achar alguma conexão entre meu amor o dele. Porém, em momento algum imaginei que haveria. Meu caso é real. Eu estou pensando nela agora com enorme desejo de sentir falta dela e despertar pensando nela. Será incrível quando disser para mim mesmo "Eu amo A." Será incrível porque reviverei a fonte de todo nosso rejuvenescimento. Amar nos fazer sofrer, e simultaneamente nos coloca diante de dilemas. E agora? O que eu faço? Voltamos a viver como adolescentes, amando. Eu quero para mim. Estou muito querendo vê-la. Estou muito precisando amar minha A.
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