"- Por que eu sou triste?
- Porque eu ouço ópera."
A aluna do 7°C, Yasmin, que me acompanha no Facebook, me disse que não entendeu este post, e quis saber. Foi no início da aula de hoje. A primeira coisa que ela me perguntou, assim que todos se ajeitaram. Escrevi na lousa. Falei a todos os alunos. Liguei meu Spotfy, peguei a caixa de som do Edmir e passei trechos de óperas. Antes ensinei que ópera é um teatro. A diferença, claro, é que cantam e não falam. Eles estranharam muito a gritaria dos tenores e sopranas. Digamos que os sentidos musicais dos alunos não estão acostumados com ópera. Mesmo assim desenvolvemos e ao fim eu agradeci. Em que outro contexto eu teria esta oportunidade? Não partiu de mim. Partiu da aluna. t
Toda ópera é uma tragédia, falei, em que a personagem busca superação impossível. Ela não vai superar. Ela vai sucumbir. Diante da beleza da canção, coral, orquestra, as personagens definham até o absoluto silêncio. Eu poetizei conforme explicava. Tenho um pouco de poesia quando falo liricamente. Fato é que eles ouviram comigo umas três árias. O aluno Bruno disse que estava dando dor de cabeça. Diferentemente do funk, ou de outras melodias de fácil envolvimento, ópera exige demais de nossos circuitos neurais. Se para um funk como "ela quer vrau", "baile de favela" etc., exigem-se uns 10 mil neurônios, para uma ópera nosso circuito neural envolvido vai para 100 mil neurônios. Só um exemplo. Gasta-se muito mais energia apenas para ouvir ópera e, claro, apreciar. O lado positivo - e expliquei a eles todos estes detalhes - é que depois que aprendemos a ter paixão por artes que exigem mais de nós, somos mais de boa com as anteriores. Eu os lembrei também da oportunidade que tive. Sempre espero algo assim. Do nada, de repente, inesperadamente, e por isso mesmo marca muito. Falar de ópera para crianças. Somos nossos conjuntos de memórias. Ficará marcado para mim mais esta.
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