Teve um cara que sugeriu que nossos sonhos são a realização de nossos desejos. Acho que foi Freud, e devo ter ouvido na boca de alguém de quem nem me lembro. Ainda não sonhei com A. e me questiono esta teoria, ou pergunto a mim mesmo se estou amando, desejando amar. Carente eu não estou, porque eu jamais levaria problema para ela. A época dos problemas são substituídos pelos risos. Meu espírito é cheio de bom humor; bom humor, aliás, sadio. É muito bom ouvir e ver A. sorrindo. Será que meu humor a fará sorrir? Creio que se ela me amar, certamente. Gosto de brincadeiras que fazem sentido na intimidade. Uma careta, uma declaração de amor inesperada, comparar a sua beleza a nada comparável, que arrebata qualquer homem que ama a perfeição. Meu humor vai para o elogio que somente há sentido se me amar. Não me recordo se a fiz rir nesta nossa distância emocional. Embora eu a veje todos os dias no trabalho, tento esconder-me. Boto a máscara da indiferença. Falo o estritamente necessário. Tenho medo de ser descoberto. Tenho medo de perdar a voz diante dela. Tenho medo de não segurar a emoção se ela me olhar atentamente, inderessada no que eu tenho a dizer. Escreve estas palavras meia hora depois de despertar na madrugada. Tentarei dormir e quem sabe sonhar, e no sonho realizar meu desejo de saber se eu a amo. Se assim o for, serei feliz. Mais feliz ainda. Há muitos anos não sentia tão fortemente a vontade de ter alguém, ainda que mal suspeita. Se eu terei coragem de declarar-me e revelar-me, talvez não. Se bem que ontem a vontade quase me traiu. Iria perguntar se ela gosta de poesia. Temi ela dizer "um pouco." Eu escrevi alguns versos para ela. Poucos e incompletos. Mas eu acho que ela não gosta de poesia, nem de mim.
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