sábado, 25 de agosto de 2018

Amor e felicidade

O amor não traz felicidade. Eu me separei em parte amando muito, e disse isso a ela. Minha ex-esposa indignou-se, chamando "um jeito esquisito de amar se separando". A única forma de eu poder reencontrar a felicidade de viver minha vida foi ter de terminar algo que eu no fundo não queria, que foi aceitar o pedido de separação em 2014. Temos que tomar decisões em momentos quase que cruciais e aquele me foi o momento. Eu via minha vida passando por 15 anos quase irrealizáveis, senão meu livro publicado em 2013 (mesmo assim com muita tensão), e meu sonhos pessoais sendo engolidos pelo tempo e por aquilo que o casamento me privava. Não podemos sufocar a vida alheia, ainda mais a dois. Talvez a vida seja apenas uma, talvez não haja Deus, talvez não haja nada depois deste nosso momento senão um sono eterno sem sonho. Eu sou fiel a Deus. Mas só tenho fé. Hoje falei com a minha mãe que minha única preocupação pessoal, de que não tenho controle, é com meu filho adolescente, o do meio, que fez dezesseis anos este ano. A mais velha já nos 18, na faculdade, morando sozinha em uma república, numa universidade federal, em Ouro Preto. O caçula, de 11, tem uma pureza, que talvez nunca perca. Mesmo assim, na adolescência, também estarei de olho nele. Eu sempre digo que temos fases. O bom é saber lidar com cada uma delas. Ainda penso no que a Literatura pode me dar de satisfação, de realização, assim como minha vontade enorme de estudar, como faço sempre, porque me vejo acolhido pelo que aprendo e pelo que ensino. Não trago mágoas, nem rancores, do passado, que são âncoras depositadas em nossas vidas. Nada de âncoras. Sei que temos alguma dependência em cada momento. É natural. Cada qual sabe de sua própria dimensão sombra, que é aquele nosso lado oculto, que escondemos de todos, porque se descobrirem, seremos expostos à nossa fraqueza que nos deteriora a alma e nossas energia. Como já passei por quase tudo neste mundo, de plantar árvore, ter meus filhos a publicar meus livros, sinto a paz de seguir no ritmo normal de nossa existência possível. Isso aos 44 anos. Hoje, vendo nossos jovens serem apresentados simbolicamente a livros, meu ideal de vida se potencializa. Creio demais no poder da leitura para tudo na mente humana. Ao ler, imaginamos um filme sem ser de fato protagonista, sem ser antagonista, sem sofrer deveras. Se nossa educação focasse seriamente na leitura, nossos problemas emocionais seriam diminuídos consideravelmente. Não importa o lado oculto de toda iniciativa de leitura, da política à comercial. Ler é algo que podemos levar sempre, e que ajuda a salvar vidas, sem nos tirar dos prazeres do mundo. Adoro minha IPA, meu chaturo, minha paz, minha reclusão, minha canção, meu vício recente em academia e treinar, sem deixar de ler e escrever. Tenho o privilégio de escrever. Escrevo para ser lido. Leio para escrever mais. Não escrevo para ser admirado. Nada me causa admiração pessoal, a não ser quando testemunho o outro se liberta ao começar a ler. Este meu ideal que o casamento me destruía, infelizmente. Tive de escolher. Esperei o momento ideal. Há sofrimento em toda separação. Assim como pode haver muito prazer na superação. Sou idealista neste sentido. Para tudo há jeito. Para exatamente tudo que nos mantém vivos. É sobre a vida, afinal, de que falamos. Estamos aqui...

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