sábado, 13 de junho de 2015

Adeus

O adeus pode ser radical, sem despedida.

O adeus pode ser em pequenas gotas, em várias despedidas.

Adeus, no entanto, não tem volta.

Um sentimento difícil de aceitar.

O bom de um adeus radical vem do sofrimento também radical.

Os mundos que se tocavam não mais existem, e se perde a certeza do seu próprio mundo.

O bom do adeus aos poucos, lentamente, é que ainda reconstruímos as perdas e trabalhamos com ela em nossa imaginação.

Não vou deixar dramático dando detalhes.

Poderia citar os adeus mais comuns.

Meus detalhes, porém, ficam nas personagens das histórias pessoais que temos e que dizem respeito a nós mesmos.

Não sou contrário aos adeus.

Sou a favor de sentir algo que não se transfere porque merecedor de crédito: os nossos sentimentos.

Felicito ao que ou a quem se foi.

Acolho as novas entregas e chegadas.

Entre partidas e vindas, vivemos descobrindo o quanto somos mais maduros, ainda que na ausência.

Não discutirei felicidade porque tenho enorme dificuldade em falar sobre o que sinto.

Positivamente.

Felicidade, ainda que a dores venham de fora, e eu as sinta como minhas.

Mas não são não.

Nossas maiores dores não são nossas as dores não.

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