Hoje pela manhã pensei como eu veria os textos que eu mesmo escrevo. Foi uma auto-análise bem breve. Como o propósito da escrita é causar, qual seria a consequência das palavras que saem de minha mente na mente de quem eu empurro para a leitura? Confesso e admito: a maioria das coisas que eu leio dos outros cronistas me cansa. Não sei se por que eu já escrevo ou se por que é cansativo mesmo. Na dúvida, fico com ambas alternativas, inclinado para a primeira opção.
Sem resposta clara, eu pensei nos textos que eu leio na Internet todos os dias. Concluo que hoje lê-se muito mais. A palavra escrita para quem tem um smartphone é imediata. Artigos de tamanhos médios e longos. Começamos a ler com alguma vontade. Aos poucos vamos cansando porque sentimos algo repetitivo sem fechar a porta que se abriu.
O que nos falta, então, quando lemos, é aquela sensação de fim. Falta muito? Geralmente falta. E se não falta muito para acabar é um sintoma de desespero interno: nosso vazio realmente está muito grande, muito mais do que o cansado do repetitivo.
Virei um cronista de minhas próprias plataformas. No Whatsapp você compartilha, no Blog você arquiva, no Facebook você 'historiciza' como breve notícia: seja de fofoca, seja de diário, seja de denúcia ou auto-vislumbramento. Aliás, as notícias tem vida tão dinamicamente curta. Prefiro o Blog e o Whatsapp para arrancar pensamentos.
Todo artista, que busca seu espaço e não quer virar mercadoria, deve ter o cuidado de deixar sua vida a mais aberta possível. Não há segredos para a arte. Não deve haver segredos em um artista. Intimidades há. Claro. Mesmo assim, não existe intimidade real, a não ser compartilhada com alguém, de modo que o artista faz de sua intimidade algo público aos íntimos e revela ao mundo em arte a sua representação interna sobre o mundo.
Aliás, sinto falta desta maturidade nos textos que eu leio por aí: ou é simples demais ou ingênuo demais, justamente porque querer falar abertamente tudo sem limites ou querer esconder seus atos falhos e não consegue, deixando escapar muita coisa. Capricho de nosso inconsciente. Mesmo assim, vivemos em uma época linda para a leitura, para a escrita e para todos: quem escreve e quem lê. Ambos por isto estão comigo. De ambos sou feito. Com ambos viverei...
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