Chega um momento nas palavras de um escritor em que de tanto escrever sobre um mesmo assunto, o assunto não mais estimula em nada quem lê e sobretudo quem escreve. O tal tédio.
O bom de escrever histórias ou então fazer fofocas é que as pessoas são o centro da atenção e não nos cansamos tão facilmente das pessoas quando nós as olhamos como espectadores. Nós a olhamos e somos espectadores delas.
A fofoca ajuda a destruir ou ao menos tenta destruir a moral do outro porque a moral do outro é perturbadora. É feio fazer fofoca. E muito pouco para a vida. Já as histórias criadas pelos escritores colocam na boca das personagens suas falas e o autor tem o delicioso álibi de dizer que nada tem a ver com o que pensa a personagem por pior em moral que ela seja. Caputu? Lembram? E nada tem a ver mesmo. O autor só cria. Na fofoca a vítima tem de se explicar; na história, o autor somente transfere a responsabilidade.
Prefiro muito escrever histórias a fofoca. Fazer a imaginação das pessoas concluir suas próprias percepções através das personagens e daquilo que lêem é demais de estimulante. Tais pequenas marcas intimistas parecem tão pouco.
Aliás, infelizmente, a força de algo é construído pelo poder da massificação. Não tenho dúvida de que a fama traz o interesse, porque nos deixa a sensação de compartilhar aquela importância alheia. Todos precisamos de algo importante para o nosso espelho interno.
Refleti hoje à tarde e retomarei um livro que está escrito, chamado "Miguelito: Memórias". É um romance tragicômico. Muito estimulante e que vai mexer a imaginação das pessoas e arrebatá-las no final. Modéstia à parte, recebi um tamanho elogio à noite. A pessoa não é famosa. Para mim isto se chama verdade. Eu amo e relacionar com a pureza da verdade. Eu não coube em mim mesmo. E o único interesse dela sobre mim eram meus pensamentos e minhas palavras, ou seja, aquilo que de mais puro e verdadeiro tenho para dar neste momento aos leitores. Nada de fofoca. Histórias e reflexões. O que eu tenho, o que na verdade eu sempre tive...
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