segunda-feira, 25 de maio de 2015

"Sentindo-me Sozinho"

Postei no Facebook, por brincadeira, meio que para ver a reação dos amigos (todos somos um laboratório de pesquisa) algo como "estou sentido-me sozinho". Logo imaginei uma ou outra palavra de consolo, mas esperava qualquer palhaçada de um atento amigo ou amiga que conhece a natureza de minha solidão resumida a quase nada. E desencanei disto.

Um minuto depois, uma amiga de família que há mais de vinte anos não vejo, solidária e temerosa, não teve dúvidas e marcou vários parentes meus no post, meio que implorando ajuda para mim: "Pessoal, o Flávio está se sentindo sozinho. Ajuda-o."

Minha primeira reação foi rir. E rir alto. Em seguida bateu-me no coração a ideia de preocupação e solidariedade. Ser solidário, além de tantas coisas, é quando amparamos. Então, senti-me amparado por uma intenção não calculada nem imaginada. Esta reação de preocupação me tocou. Não cheguei a emocionar-me, mas tocou-me fortemente.

Deixei por mais um tempo o post do "sentir-se sozinho" e em seguida apaguei-o. O que era para ser uma brincadeira, misturada com provocação para dúvidas e polêmicas, tornou-se uma pequenina lição de amparo. Não falo acolhimento, já que este é mais profundo. Há pessoas que se preocupam de um modo sincero. A Simone preocupou-se profundamente. E (de coração) agradeci e quase me desculpei. Ela sentiu temor e eu um pouco de vergonha.

Não importa. Sempre há quem esteja lá para um pouco de açúcar no café amargo. Geralmente das pessoas menos inesperadas. Curiosamente, estava refletindo hoje com minha irmã sobre o altruísmo e como este sentimento me persegue desde criança. Refletia seriamente.

Creio no amor da solidariedade, do acolhimento, do amaparo. Precisamos de tão pouco para realmente ajudar. Mas este tão pouco vem com tanta dificuldade e há quem passe toda uma existência sem o mínimo do pouco da maturidade para enxergar e ajudar. Fato é que não dá para brincar com o que não se sente, porque há pessoas que sentem por nós aquela preocupação. A Simone foi prontamente uma destas! Agora sim: "Obrigado pela sincera preocupação!"

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