Alguns textos de alguns sentimentos deveriam ser páginas em branco. Sem uma única palavra. Por absurdo que parecesse! Na página em branco o sentimento continuaria existindo apenas dentro do coração (como verdade interna) e se fosse a sensação de pureza, não se macularia nem com as imperfeições humanas nem com a fragilidade de quem escreve o que sente quando o que sente o deixa feliz.
A felicidade, que é a paz interior, acalma a agitação dos neurônios (para ser um pouquinho só técnico) e neurônios calmos, vida pacata, ansiedade pouca, tempo mais longo, passos bem mais lentos, os segundos batem no nosso ritmo cardíacos, respiramos vida e exalamos confiança: agradecemos.
Diminuímos praticamente todos os ritmos de nossas vidas na felicidade.
Ah, não confunda, por outro lado, felicidade com euforia. A euforia é o pico da aparente felicidade tão passageira que em seguida a morbidez vem inevitavelmente. Exato: o início feliz do futuro porre. Sim. Euforia é desânimo em potencial. Ficou eufórico, logo um desânimo mórbido vem buscar seu espaço. Euforia é um pequeno panorama de um pico forte de atenção feliz, aparentamente infinito, porque ilusório. Mas, como tudo na vida, a própria euforia tem sua importância. Com ela fazemos coisas que não faríamos somente felizes. Mas se sabendo que apenas estamos eufóricos, que mal tem?
Basicamente o mal na vida vem de fora para dentro. O mundo nos traz problemas, a não ser que você leve os problemas para o mundo, o que faz da pessoa o mundo. Por isto, existe maldade de dentro para fora. Infinitos problemas internos em que a pessoa não tem controle e deixa quem convive com ela em estado de alerta e atenção. Bebida. Drogas. Vícios. Intolerança. Preconceito.
Alerta e atenção são o risco, a defesa, o medo, a fuga, o contra-ataque, a proteção, enfim, a guerra. Reparem que na guerra, a euforia deve permanecer; não a euforia de felicidade, mas aquele pico de aceleração para preservar a própria vida ou a vida de quem amamos. Por isto a maioria dos males deste mundo está fora de nós, se não despertamos no outro o sentido de alerta e atenção. Devemos ir com nossa paz à guerra. Nossa paz é a paciência sobretudo.
Queremos paz. Queremos desacelerar. Queremos que o nosso ritmo de felicidade seja a paz interna. Queremos que no caminho a partida e a chegada sejam tão desejadas quanto sair e chegar. No início de uma briga, queremos logo que acabe: é guerra. No início da felicidade queremos nossos olhos desacelerados para ver o trajeto com calma e queremos nossos ouvidos para sentir o arfar quase silencioso de nossa respiração tranquila. Na paz relaxamos quase tudo. O único meio de vencer uma guerra que não é nossa é buscar nossa paz interna.
Gosto de falar de mim como um pequeno exemplo da vida que passa. Sei que há tantas guerras internas em tantos corações neste exato momento. Sei que os mais completos absurdos passam nas mentes em guerra no momento em que não se sabe nem o caminho que se trilha. Passos pesados.
Ontem, tive uma troca injusta: em troca de algo, eu apaguei algo. Uma troca realmente injusta. Eu ganhei muito e dei relativamente pouco. Me senti explorando. Mas explorei o que meu coração queria. Ainda que eu tenha ganho algo tão relativamente breve. Mas daquela brevidade em que os segundos se eternizam.
Para quem o conflito, a atenção e o alerta aceleram o mundo, minha fórmula básica: A) primeiro, o tempo; somente o tempo encarrega de desacelerar as coisas; B) segundo, não alimentar o conflito; toda guerra perdura quando uma das partes não se rende; renda-se e espere; sua paz será fundamental; C) terceiro e último: Deus; ainda que seja ateu; a fé é a crença última naquilo que não existe mas que existirá ainda que nosso mundo mostre o contrário. Eu tenho fé.
Se sofrimento é dormir com os olhos da alma abertos e alertas e inquietos, ser feliz é dormir com a fé de que a alma tem asas e voa; voa lentamente, sem euforia, sem necessidade de chegar; ela aprecia o tempo porque o tempo foi aos poucos acertando tudo. Confiar em Deus sempre e crer que tudo o que precisamos para resolver nossos problemas humanos é de tempo: seja mesmo nos relacionamentos ou na coisa mais vulgar como dívidas para pagar. A paz prevelece. Mas o tempo será fundamental.
Me coloquei a vagar neste texto, mas quem sou eu para opinar? Um livro aberto de sentimentos bom de se navegar...quero dizer que é um prazer imenso poder te desejar toda paz e felicidade que você puder alcançar....
ResponderExcluir