Para sorrir para a vida. Gosto e faço sorrir com facilidade. Não por meio de piadas. Meu riso vem mais caricaturados dos vícios e defeitos humanos. Eu mesmo me dou por satisfeito de ser cheio deles: vícios e defeitos.
Quem não ri comigo e de mim, não ri por nada. É sério e chato e sofrido. Eu sou sério, chato e sofrido, mas faço rir. Como disse, vícios e defeitos nos encantam na pilhéria. Para sorrir para a vida.
Em 2015, no entanto, um aluno me disse "aquele sentimento voltou à minha vida". Antes de começar a minha aula. Era a depressão. Voltou à vida dele.
Depois de dois anos livre da doença, ele me confessou novamente o retorno. Ele ja tinha sido meu aluno há três anos. Interrompeu para se tratar. Recuperou-se e voltou à minha aula. Ele me dizia em todas as aulas: "I'm alive!". E eu retrucava: "we are alive!". Eu já tive depressão: dos 18 aos 22 anos. Prisão. Casei-me aos 24. Limite. Me separei aos 40. Ou seja, somente agora retomo meu conceito de liberdade no sentido burguês do Sec. XIX.
Ele me confessou logo na entrada da aula.
- Aquele sentimento voltou: depressão.
Sou um tipo que se preocupa com quem quer que seja. Onde há um sofrimento em que possa levar a meios para dissipá-lo, para que o sofrimento seja esquecido, lá vou eu. Os exemplos são inúmeros.
A melhor arma para a tristeza, a solidão, a depressão, a amargura é outro desconforto equivalente e tão forte quanto aqueles. Já reparou que brigamos com quem mais nos ama quando sentimos angústia e tristeza? Porque este desconforto nos alivia. Falo com a experiêcia do filho que fui e do pai que sou.
No primeiro momento, arristei a este meu amigo:
"Isto é excesso de felicidade, de paz, de contentamento. Estar com a cabeça fazia voltam as perguntas sobre nossas vidas e a razão de viver."
Ele ouviu e concordou refletindo a respeito.
Projetos simples na vida são fundamentais. Mesmo! Preocupações simples são essenciais. Paz em si não existe. Porque equilíbrio vem da dosagem certa entre e paz e guerra. A ausência de um leva à confusão e falta de sentido angustiantes. Exemplo? Um pacifista não vive em paz!
Passei basicamente uma aula inteira nesta noite falando sobre arte e sobre a vida. Somente ele reparava que meu discurso era direcionado a ele.
"A vida se torna sem sentido quando vivemos somente em paz, sem conflito e lutas. Perguntas como 'por que vivemos' batem em nossa mente. Neste momento que entra viver a arte.", concluí. Com a cabeça, meu aluno gesticulava em aprovação.
No meio da aula, num contexto específico, falei "we are alive!" No que ele concordou. Quantas vezes escondemos algo das pessoas ou de alguém somente para evitar a dor ou direcionar nossas palavras? Hoje e em tantas aulas é assim.
Não digo, afinal, detalhes pessoais, senão ensinar o que tenho que ensinar. Mas sei bem que devo ajudar um pouco a resgatar a vida a quem vive morrendo somente por sentir confusão emocional. Tudo nesta vida tem de ser aos poucos. Aos poucos as coisas se encaixam. Eu não tenho pressa. No final, ele me cumprimentou e nem tocamos no assunto.
Agora algo bem específico, direcionado. Eu não tenho pressa. Posso esperar. De verdade. Mas é bom um retorno. Não quero que sofra. Não adianta reprimir um sentimento. Gasta-se energia sem necessidade.
Tenho "Miguelito" para publicar em 2016; mestrado para iniciar em 2016. E amar nos cativa a dar brilho em nossos projetos. Se o amor não nos atrapalha, o carvão bruto vira diamante lapidado sob pouca pressão. Não se confunda não. Posso estar enganado. Devo, porém, estar com a razão. Deixar o amor expandir aumenta a chance de buscar crescer, desde que não seja carência. Nossas vidas se ampliarão. Caso sua vida seja seus projetos e não apenas curtir um dia após o outro, deixa rolar o sentimento do amor, ainda que sem retorno.
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