Eu nao sei quando, mas as pessoas aparecem em nossas vidas. As que aparecem e pouco ficam, são os transeuntes, os pedestres. Elas são para nós; nós somos para elas. O contato é o acaso e como acaso o encontro fica. Não será sonho nem lembrança. Será esquecimento. Como o botão que desliga a luz que nos agrada, mas preferimos o escuro.
Algumas pessoas chegam e ficam um pouco. Teimosamente ficamos também. As memórias, porém, serão mais as das dúvidas. Alguma coisa une ambos, e este algo pode ser trivialidades como as que estão nesta pequena e aleatória lista:
A) beleza
B) inteligência
C) estabilidade financeira
D) bom humor
E) bom gosto
F) viagens
G) sexo
H) carência
I) medo da solidão e outros medos
Lista aleatória, à toa, sem critério, sem nada lógico senão experiência e intuição. Muito pouco, porém. As pessoas entram. Permanacem. Bagunçam um pouco nosso interior e bagunçamos o dela. As dúvidas surgem aos cântaros e as dúvidas preferimos. Serão outras memórias. Estas dúvidas. Ambos partem.
Algumas chegam mais intensas. Chegam e assustadoramente entram. Uma mão dupla. Ambos se misturam como um namoro escondido dos pais na frente do portão de casa através de troca de carinhos verbais e olhares meigos. Uma doçura que liberta o outro dentro de nós e nos aprisionamos. Queremos esta prisão para sempre. Só que temos muitas chaves fora de nós. Aos poucos somos abertos por outras preocupações. Outras responsabilidades. Nosso coração arrebatado, preso e refém, tem que ceder espaço a outras coisas e vidas como trabalho, família, estudos. Foi uma doce ilusão. Choramos para dentro. Termina aos poucos. As saudades serão fortes, porque uma vez preso um forte sentimento dentro de nós, nunca mais será liberto. O sentimento fica, até quando tivermos nossas memórias. Ambos vão e vivem mais reflexivos.
Algumas pessoas chegam sem permissão alguma. Completam-nos. Nós as completamos. Gostam do que nós gostamos. Riem das mesmas piadas e os filmes, e livros, e passeios, e parques, e sabores e licores. Ritmos que sobem e descem. Os problemas nunca são memórias, porque não são discutidos. A construção de memórias são somente doçuras do carinho e do cuidado e do amor. Estas possivelmente ficam para sempre...
Eu não sei quando, mas uma hora as pessoas aparecem e antes de se complerem, as memórias vão sendo construídas. O que passou, no entanto, passou. Não é uma questão de sofrer. São apenas memórias boas de quem não nos completa mais. Memórias ruins não existem. O que existem são pessoas ruins.
Eu não sei quando, mas quem nos completa verdadeiramente aparecerá. Saberemos logo nas primeiras palavras...
(Texto para a minha amiga Erika Ana; eu esperei seu tema e ainda estou esperando)
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