Li um artigo sobre ser verdadeiro (link abaixo). Posso às vezes não falar o que penso, mas penso que mentir cansa mais do que falar a verdade, ou ser verdadeiro. E realmente o mundo está tão mentiroso, muito mentiroso; as pessoas estão mentirosas, muito mentirosas, porque tem metas para cumprir, tem dinheiro para ganhar, tem desejos para realizar, tem a solidão para suprir. As verdades parecem tão superficiais a ponto de verdades simples e sem rodeios - como aquelas de um pequeno texto, um gesto, uma atenção - parecerem até mentiras muito bem argumentadas. Quem sabe falar bem e escrever é ainda mais desafiado pela mentira do que acolhido pela sinceridade. Cansa, verdade. Um filósofo, um escritor, um pensando não se dá bem com mentiras não. A enorme maioria são verdades. Pode parecer alguma intenção escondida. Mas tem não. Um escritor ama deixar a dúvida na cabeça dos leitores. Mas ele é cheio de certezas. Basta pensar na contradição. Para se descobrir quando algo é verdadeiro ou não, existe uma tática muito simples chamada "contradição". Nisto eu me saio muito bem. Não eu sendo contraditório; mas percebendo as contradições. Mentalmente, quando sinto mentira, eu falo "espera aí!" para mim mesmo e penso na contradição sem que as pessoas saibam. Inclusive, posso até ser um bom professor e escritor porque não sou contraditório e nem incoerente. Senão seria vendedor, advogado, político, até tenho perfil para ser diretor de empresa e gerente de banco: profissões que exigem certo cinismo. Sou professor e sou escritor, né? Eu me auto-entitulei escritor. Mas aí é arte e fantasia e engano. Os personagens de meus livros falam por mim e por nós. Tem que ler Contos Suaves para entender a densidade do escritor.
http://chalita.com.br/index.php/o-escritor/textos/item/2000-%E2%80%A8a-verdade-e-as-miopias.html
Nenhum comentário:
Postar um comentário