Isto porque eu ainda não escrevi poesia.
O que tem de diferente? Sensibilidade. Sensação que nos descontrola, tira o momento presente, os olhos voltam-se para a beleza interna no toque do encanto que seduz e aprisiona.
Se a beleza pode surgir de palavras, que dirá então do toque real, do carinho real, do aconchego real!
Isto porque eu ainda não escrevi poesia.
A poesia é a beleza; onde há o belo, lá habita nossa moradia. Precisamos morar no belo.
"Traduza minha alma para que eu possa viver melhor", e vem alguns versos em poesia.
"Descomplica minha confusão."
"Acenda algumas velas, ou lâmpadas. Sinto tanta escuridão."
"Sofrerei esta ausência eterna de sempre ser metade?"
As pessoas sofrem, e vivem, e adoecem, e acostumam-se, e a poesia da arte pode ser o diferente.
Amar uma ilusão. Amar um sonho. Amar uma carência. Amar uma ilusão que sonha a sua carência.
Isto porque eu ainda não escrevi poesia.
As pessoas fazem tudo o que todos fazem: acordam, andam, voltam de onde foram, ficam um pouco ou muito, renovam-se a cada garfada do almoço, clasmocitam... e o poeta vê beleza em tudo, porque em tudo há sentimentos que gritam uma tradução, uma compreensão, uma encantamento.
"Eu vivo."
Aliás, isto porque ainda não falei de poesia.
Nasci, no entanto, poeta com centenas de poemas. Fortes. Sensíveis. Tocantes. Que arrependimento humano me dá saber que se perderam, meus poemas, quando eu falava de poesia. Recomeçar um dia por vez.
Os anos são meses, os meses semanas, as semanas dias, os dias horas, e as horas minutos e segundos, onde estamos neste exato momento respirando tantas dúvidas...
A vida nos mostra que somente os anos temos para tudo, para curar dores e aprender a solidão, temos que passar pelos segundos para chegar aos anos. Os segundos machucam demais. Os anos justificam. Eu entendo porque eu ainda não falei de poesia. Falarei de poesia e tantas outras coisas. Os anos falarão muito.
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