segunda-feira, 27 de julho de 2015

Sabe aquele "Ok" irritante da resposta?

Pe. Fabio de Melo diz que aquilo que mais cansa a gente é ter de explicar sempre. Por outro lado, somente tem de se explicar quem, no mínimo, se expõe conscientemente, né?

Quero sugerir o famoso "Ok" das  irritantes respostas, como se por trás dele resumisse um singelo e afetuoso "obrigado", "combinado", "fico agradecido" etc., e não o sadismo da torturar psicológica.

Para isto vou usar uns trechos de um belíssimo artigo que li chamado "O Silêncio como Tortura", e acho que ele vai à alma dos "Oks" como despreso e, por isto, desnecessário até.

Olha este trecho:

"O silêncio é uma das armas mais poderosas que se pode empregar contra o outro; expressão de falso vitimismo, (...) porque confina seu adversário em estado de constante incerteza emotiva."

A ponte do diálogo foi derrubada. A relação está dentro de um conflito. O silêncio passar a ser a tortura de uma das partes. Mas nem sempre é assim. Por vezes, perdemos o assunto e não temos mais o que falar, o que é natural. Se jogarmos limpo, nossa sinceridade do silêncio acaba deixando nossa fraqueza acolhedora. Eu mesmo, inúmeras vezes, já disse: "eu não sei o que falar", ou "eu estou sem assunto". Usei meu silêncio a favor da minha impotência comunicativa. Ganhei méritos.

É covardia e espírito pequeno o silêncio como tortura que, através do silêncio, cria incertezas emotivas. Aliás, ainda mais quando o outro percebe a infantilidade do ridículo.

Outro trecho:

"Nas dinâmicas de casal a resposta do masculino muitas vezes é inadequada, pueril, tola. São poucos os homens que evoluem integrando seu componente feminino (...). Em sentido psicológico deve tornar-se sempre feminino (...): muitos homens também são vítimas do silêncio feminino sádico e culpabilizante."

O silêncio da mulher é interpretado pelo homem como infantilidade ou dor arquivada e reprimida. O silêncio do homem é interpretado como tortura e desamor pela mulher que sofre angústias.

A mulher que usa o famoso "ok" quer mostrar seu comportamento masculino de tortura para chegar à alma do homem? Tiro errado! Quando muito, apenas masculinizará a relação e construirá mais argumentos de distanciamento. Ok representa ok, no universo masculino.

Homem algum entra em banheiro público reparando os detalhes. Seu olhar é seu propósito direto. Não existe olhar para lado algum. Uma linha reta machista e viril. O simples "ok" feminino é um simples "estou criando barbas, aumentando minha testosterona, aversão a banhos diários e cremes". Não funciona como tortura psicológica o "ok" feminino. Irrita pela infantilidade apenas.

Último trecho:

"...é impossível não se comunicar. Consequentemente, também, o siléncio é uma forma de comunicação, uma forma diferente como as mensagens duplas, as comunicações oblíquas, por negação etc. A sua característica é, porém, de serem indecifráveis e deixarem o recebedor das mensagens em estado de incerteza."

O cuidado com o sentimento alheio pertence a uma categoria bem especial de seres humanos. Minha irmã, separada, me disse que a maior tortura para a mulher separada é ver o ex-marido bem. O contrário também é verdadeiro. Por isto o cuidado com o sentimento das pessoas é algo raro. Querer ver o outro sofrer alivia as dores da ausência e da separação. Quantos "ok" não resumiram um "sofra!"? Daí entra o cuidado. Em minha memória recente, falo "ok" para amigos com certa frequência. Amigos, homens, claro. Jamais o silêncio para uma mulher, porque eu não sou adepto à tortura. Melhor um posicionamento claro, ainda que machuque do que deixar a dor da dúvida, que agoniza. A dúvida para o homem acaba virando sexo e bebida; a dúvida para as mulheres potencializa doenças, porque o primeiro extravaza e a segunda somatiza assustadoramente.

O silêncio como tortura é sadismo. Um sádico é um doente. Precisa de orientação para entender que este mal volta para si em algum momento. O "ok" como tortura é feio, frio, falta de humanidade. Ninguém muda a dor interna rapidamente espalhando "ok" para sofrerem. Nem por isto tem de provocar dores. É pouco. Bem pouco para si. Que a comunicação seja sempre a mais plena possível.

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