Saudade é diferente de querer ter ou ficar ou voltar com alguém. A confusão se estabelece aí. Ter saudades é porque suas memórias resgatam tempos bons. Neste momento de saudade, apenas falar um pouco com a pessoa seria suficiente. Trocar um pouco. Dizer mais; ouvir menos; ou vice-versa. Gosto das despedidas demoradas. É uma despedida. Não dá mais. Não deu mais. Não dará mais. Acabou e o que existiu é tudo o que teremos. Claro que é compreensível uma das partes querer ferir, machucar, magoar, deixar cicatrizes. Ela não quer se despedir, na verdade. Uma saudade linda se mata com uma dor quase insuportável. Entre um casal, quem machuca é quem quer matar as saudades porque sofre com elas. Quem agradece os bons momentos que teve, faz da saudade uma eterna despedida, ou uma despedida prolongada em que o adeus vem em gotas pequenas, e algumas evaporam de tão miudinhas. Sabe a lágrima da saudade solitária? Estou falando das separações, óbvio. Ninguém começa algo para ter um fim. Mas os começos terão algum fim. O fim que nos faz maiores. Desde que não se mate o que existe de memórias e momentos, seremos maiores. Sou a favor de ter parceria com a dor, mas não com o sofrimento, com a mágoa, a ferida, o rancor. Se tem saudades, tente só falar. É bom quando ambos admitem que tem saudades, embora não haja mais possibilidade alguma de presente nem futuro. É justo, bonito, honesto. Se tem saudades, somente fale e ore para que o outro compreenda: são apenas saudades, nada mais.
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