Eu gosto. Quando gosto, gosto de mostrar que gosto. Não sou de meio termo. O meio termo é a indecisão pessoal e o vacilo de viver. Acho perda de tempo a indecisão, o vacilo. Andar perdido vale somente para a linda virtude da juventude, da adolescência, porque o adolescente sofre dentro de si. Deve sofrer. Senão, não cresce, não amadurece.
A confusão entre o querer e o não querer impede os belos momentos que existem para serem vividos. Eu amo os belos momentos. Eu aprendi a importância da certeza do "claro que sim!" um dia, que aos poucos virou dúvida, e da dúvida a completa negação. Eu não nego. Sou prático. Eu gosto e falo que gosto.
Ser prático não é ser apenas direto. Crer e intuir vale bastante na praticidade da vida. Ser prático requer muita certeza. Me causa tanta tranquilidade poder ter um tempo com alguém para sentir. Acho que tantas aulas lapidou em mim este sentir. Aprendi a olhar as expressões. Eu vejo. Eu interajo. Eu sinto. A partir daí minhas certezas...
Fernando Pessoa, o poeta português, foi o poeta das sensações. A sua obra poética pode ser resumida entre o sentir e o ser. Abstraindo a razão, o que sobra é o que sentimos. Verdadeiramente. Eu sinto. Diferentemente de Fernando Pessoa, meu sentir não é uma crise existencial adolescente. Eu gosto de sentir o mundo para expandir sentimentos e minhas sensações. Nada demais, no entanto. Somente porque eu gosto. Quando eu gosto, eu gosto.
Ah, gostei. Muito. Nada demais. Nada mirabolante. Um gostar por sentir. Querer sentir. As sensações boas devem permanecer. Se é bom é belo. E todo belo deve ficar. O belo por fora enjoa o belo por dentro. O belo da alma nos traz paz profunda. Paz: ausência completa de conflito e dúvidas. O belo interior: um dos belos que busco, valorizo, com que me identifico.
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