terça-feira, 1 de setembro de 2015

Mulheres Maravilhosas Persistem

Saber desistir é algo que eu admiro nas mulheres. Elas desistem com relativo estilo. Eu as admiro e não compreendo qual força psicológica há nelas. Ou então nem força psicológoca seja. Bem possivelmente elas são mais adaptadas à distração dos amigos e dos passeios. Sublimam fácil. Conseguem distrair a desistência emocional. E nomeiam isto "resiliência". Eu nomeio "potencial somatização". Eu queria saber desistir com a mesma facilidade.

Por outro lado, há mais vantagens do que desvantagem na persistência. Uma que não nos enganamos e nem nos auto-enganamos. Diferentemente do "melhor esquecer e deixar quieto", persistir traz ao fim a leveza da linha de chegada. Completar uma prova é o início. Seja em primeiro lugar, em quinto, em último. Ao menos a tragetória existiu. Ao menos o limite - o nosso limite - foi alcançado. Não desistimos. Chegamos em nosso limite.

Tento ser constante, mas a vida traz suas vicissitudes. Eu amo esta palavra: vicissitude. Me lembro quando a li pela primeira vez. Acho que foi em 1993 ou 1994. Era um texto. Eu a achei esquisita. Mas engraçada e sonora. Eu busquei no dicionário de papel o sentido. Não existia Internet no Brasil. Agora eu a escrevo com tanta naturalidade.

Seria bom ter uma vida emocional mais ou menos constante, mas a vida emocional tem suas vicissitudes. O ser humano, cada qual, quer viver suas verdades com suas vicissitudes. A chave é o equíbrio para respeitar o contrário e o diferente do outro longe de nós. Esta é a desistência.

Apesar das vicissitudes, eu não desisto. Quem desiste somente tem a perder. Quem não desiste, no mínimo, empata com a vida, ainda que chegue em último lugar. Correu soluçando? Correu arfando? Correu andando? Engatinhou nos últimos metros? Chegou a ter apoio de alguém para cruzar a linha final? Estes contratempos fazem parte da vida. O importante é saber que foi no seu limite ao final.

Sei que centenas de amigos e conhecidos vivem em seus limites. Sorriem. Bebem. Cantam e dançam. Festejam e confraternizam. Mas tudo isto tem seus limites. Uma faísca. Uma explosão. Ou melhor, uma implosão. Seca. Boca adentro, dentro da alma. Totalmente silencioso. As vicissitudes são internas. E para poucos.

Vou falar. Desista não. Faça igual a maioria das mulheres. Embora elas desistam com grande estilo a vida liberta, muitas demoram para desistir. Elas esperam razões sobre razões, motivos sobre motivos. Crer é uma virtude.

As pessoas julgam imbecis e idiotas e trouxas quem persiste diante de muitas evidências. Eu admiro as mulheres. Eu admiro as mulheres por este motivo. Elas apenas aparentam ser imbecis, idiotas, trouxas. Aparentam somente. As fortes não desistem. Por mais que o mundo as enche de distrações bem bacanas. Elas sabem o que querem. Sim mulheres maravilhosas. Tem limites. Todos temos limites. Mas sempre serão maravilhosas.

Não sou mulher. Queria saber desistir como a maioria das mulheres fazem com um melhor deixar para lá cheio de estilo.

Minha desistência acompanha meu sofrimento. Sofrer é um desacordo entrer o querer, o fazer e o ter. Paciência. Há coisas que queremos. Há coisas que fazemos. Há coisas que temos. Tudo o que temos vem geralmente de escolhas, sendo as mais importantes: a persistência e a desistência.

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